terça-feira, 7 de fevereiro de 2017



Brasil na Belle Époque
Brazil Tropical

Do Império à República
A Belle Époque Brasileira, também conhecida como Belle Époque Tropical ou Era Dourada, vertente tropical da Belle Époque europeia. Foi um período de mudança artístico, cultural e político do Brasil, que começou em fins do Império no reinado de D. Pedro II e prolongou até fins da República Velha (1889-1931) com o presidente Getúlio Vargas.

A Belle Époque, no Brasil, difere de outros países, seja pela duração do período, seja pelo avanço tecnológico, que se deu, principalmente, nas duas regiões mais prósperas do país na época: a região do ciclo da borracha (Acre, Amazonas, Rondônia e Pará), região cafeeira (São Paulo e Minas Gerais).

A Belle Époque brasileira é, no entanto, instaurada lentamente no país, por meio de uma breve introdução que começa em meados de 1880, e depois ainda sobrevive até 1925, sendo aos poucos minada por novos movimentos culturais.

No Brasil a ligação com a França é profunda nesta fase da História. Entre os membros da elite brasileira, era inconcebível não ir a Paris ao menos uma vez por ano, para estar sempre a par das mais recentes inovações.

Borracha, a riqueza que produziu
La Belle Èpoque na Amazonia
A borracha produziu a Belle Époque na Amazônia e impôs um modelo europeu de urbanização no início do século XX.

Um sonho francês na floresta tropical, define bem a época da Belle Époque em Belém e em Manaus. Se de um lado a mão-de-obra empregada na exploração da borracha mostrava o lado miserável e que nem tudo era luxo e fantasia neste contexto; do outro, temos duas cidades que viviam um frenesi provocado pelas riquezas oriundas desta economia.

Financiada pelo Látex, a Belle Époque amazônica iniciou-se em 1871. Centrada principalmente nas cidades de Belém (capital do Estado do Pará) e Manaus (capital do Estado do Amazonas), período foi marcado por intensiva modernização de ambas as cidades no século XIX, com avanços arquitetônicos em relação a outras cidades, como o Teatro da Paz, inaugurado em 1878.

Belém e Manaus estavam na época entre as cidades brasileiras mais desenvolvidas, e entre as mais prósperas do mundo. Ambas possuíam luz elétrica, bondes e sistema de água encanada e esgotos.
Viveram seu apogeu entre 1890 e 1911, gozando de tecnologias inexistentes nas cidades do sul e sudeste brasileiro, tais como bondes elétricos, avenidas construídas sobre pântanos aterrados,

Belém do Pará
Belém, Província do Pará, evoluiu rapidamente, reforçando o discurso da época: progresso e civilização, amplamente defendido pelos governadores republicanos a partir de 1889.

Ruas arborizadas, avenidas calçadas, prédios em estilo neoclássico ou art noveau espalhavam o clima de modernidade que refletia o ritmo das exportações e se desdobrava, ainda mais na arquitetura e no comportamento social. Destaque é dado à administração de Antônio Lemos, comprometido com os valores burgueses dos grandes comerciante empresários.

Lemos idealizou e concretizou uma urbanização disciplinadora quando implementou obras de infra-estrutura e saneamento: reformas de cemitério, construção de hospitais e asilos, caixa d’águas, mercados, matadouros, usina de lixo, jardins, bosque, horto, iluminação elétrica, bondes e praças com traços europeus.

O processo de modernização, aparentemente harmonioso e coletivo, escondia uma triste realidade, quase sempre não revelada em obras urbanísticas de grande porte, o submundo da prostituição, mendicância e o crescente número de vendedores ambulantes, que comprometiam a imagem da Belle Époque. 

Nos Códigos de Posturas de Lemos, os populares eram obrigados a retirar-se do centro da cidade para as áreas periféricas, na época surgiram bairros como Umarizal, Cremação, Pedreira, Marco e São Braz, entre outros.

Também introduziam um controle do comportamento dos habitantes, quando implicavam em proibições como tomar banho e lavar roupa nos córregos urbanos. Ideologicamente falando, o saneamento da pobreza era executado para a burguesia reinar.

Mas, apesar de todo o controle social e a disciplina urbana os populares continuavam tramando suas estratégias de resistência.

Em Belém, edifícios imponentes e luxuosos, como o requintado Theatro da Paz, Mercado de São Brás, Mercado Francisco Bolonha, Mercado de Ferro, Palácio Antônio Lemos, corredores de mangueiras e diversos palacetes residenciais, construídos em boa parte pelo intendente Antônio Lemos.

A construção desse espaço de cultura completava o polígono formado por Palace Bolonha, Grande Hotel, Cine Olympia, o Theatro da Paz, local de reunião da elite de Belém que, elegantemente trajados à moda parisiense, assistiam à inauguração ao som de acordes musicais, num ambiente esplendoroso, refinado e de grande animação.

A abertura teve como pano de fundo a Belle Époque, ao final do apogeu econômico propiciado pelo período da borracha e o final da intendência de Antônio Lemos, grande transformador urbanista da cidade.

Manaus - Amazonas
Em Manaus, Província do Amazonas, temos o Teatro Amazonas, Palácio Rio Negro, Palacete Provincial e o Mercado Adolpho Lisboa.

A influência européia logo apareceu em Manaus, na arquitetura das construções e no modo de vida, fazendo do final do século XIX e começo do século XX a melhor fase econômica vivida.

A Amazônia era responsável, nessa época, por quase 40% de toda a exportação brasileira. Belém foi a cidade mais rica do Brasil nessa época, em decorrência de toda a borracha extraída e exportada da 
Amazônia via porto, já que o de Manaus ficava distante demais do litoral. Graças à borracha, a renda per capita de Belém era duas vezes superior à da região produtora de café (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo).

A moeda da borracha: libra esterlina, moeda do Reino Unido forma de pagamento pela exportação da borracha pago aos seringalistas, mesma que circulava em Manaus e Belém durante a Belle Époque amazônica.

A face obscura da Belle Époque – Paris Tropical
A Belle Époque foi considerada um período de luxo e transformações sociais e culturais que se espalhou pela Europa e chegou ao Brasil. Inspirado nesses ideais a burguesia brasileira começou a implantar os costumes advindos da civilização européia, porém nem tudo foi só ostentação e luxuosidade, para manter a sociedade elitista brasileira, muitos trabalhadores eram obrigados a trabalhar em péssimas condições.

Enquanto cidades brasileiras como Rio de Janeiro e especialmente Manaus, viviam o auge da Belle èpoque, sua situação sócio-econômica era devastadora, principalmente na capital amazonense, onde o lucro da burguesia adivinha da exploração de recursos naturais como o latéx.
Manaus se desenvolvia, eram construídos avenidas armazéns, graças ao ciclo da borracha, porém esse desenvolvimento gerou caos, Manaus conhecida como a Paris Tropical, exportava latéx para toda Europa.

Entre 1890 a 1912 Manaus vivia o ciclo do latéx, material alvo de especulações de países europeus, Manaus era um grande campo de latéx, mas seus trabalhadores eram mal pagos e obrigados a trabalhar em condições precárias.

Avenida principal de Manaus a ilusão de prosperidade contrastava com a desigualdade social




Foto do Banco de Manaus

O ciclo da borracha chegou ao fim em 1912, devido aos países europeus, exportarem sementes da seringueira para países como Ceilão e Índia, aonde conseguiam preços mais baratos pela matéria prima da borracha, Manaus passa por uma profunda depressão a cidade que crescera e concentrava lucros absurdos nas mãos de burgueses, se via abandonada, seus luxuosos mercados e armazéns de roupas estavam abandonados e Manaus ficou esquecida do resto do mundo.

Belle Époque na região Cafeeira
A Belle Époque na região cafeeira reflete o momento áureo que o café traz ao Rio de Janeiro e sobretudo a São Paulo que consegue firmar-se como centro econômico de porte nacional.

Rio de Janeiro - Capital Federal
No Rio de Janeiro, capital federal, houve profundas mudanças sociais em sua paisagem urbana. A explosão urbana do final do século XIX fez com que a sua população saltasse de 266 mil a 730 mil habitantes entre 1872 a 1904, graças à chegada de ex-escravos (após a abolição, 34% da população era negra ou mestiça) e de imigrantes (40% da força de trabalho), consequentemente inchando sobretudo os cortiços e as favelas que já começam a brotar nos morros do centro da cidade (KOK, 2005).

Em 1920, a população do Rio atingiu 1.157.873 segundo o IBGE.

Inspirado nas reformas de Haussmann, o Prefeito Pereira Passos procedeu profunda reforma urbana na capital, visando o saneamento, o urbanismo e o embelezamento e conferir ao Rio ares de cidade moderna e cosmopolita. Para aumentar a circulação de ar no centro do Rio, muitas ruas foram alargadas (p.ex., Rua Marechal Floriano) ou abertas (p.ex., Avenida Central), e se desmanchou inclusive o histórico Morro do Castelo, onde Mem de Sá, em 1567, havia refundado a cidade com a instalação da Fortaleza de São Sebastião, a câmara municipal e a cadeia, a casa do governador e os armazéns-gerais.

A cidade também ganhou inúmeras linhas de bonde.

Em 1908, realizou-se na Urca a Exposição Nacional Comemorativa do 1º Centenário da Abertura dos Portos do Brasil, para a qual foram construídos vários edifícios temporários. A maioria desses edifícios foi derrubada após o término da exposição. Uma exceção foi o prédio do Pavilhão dos Estados, que é atualmente ocupado pelo Museu de Ciências da Terra

O antigo Palácio Monroe e o Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Além disso, outro ponto forte foi a criação de bairros da classe média carioca, como alguns presentes na região do Grande Méier, e outras áreas nobres, como alguns bairros da Zona Sul carioca, como Glória, Catete, Botafogo e Copacabana, cuja ocupação da área se deu definitivamente com a inauguração do Túnel Velho.
Nesse período nasceu um dos cartões postais da cidade, o teleférico do pão de açúcar, em 1912.

O Bondinho do Pão de Açúcar foi inaugurado ainda na Belle Époque,

Um dos maiores símbolos da Belle Époque na cidade foi a inauguração do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1909. Aliás todo o complexo da Cinelândia - onde está localizado o Theatro Municipal - é transfigurado sendo acrescido posteriormente com a instalação do Palácio Monroe e vários cinemas (Cine Odeon, Cineac Trianon, Cinema Parisiense, o Império, o Pathé, o Capitólio, o Rex, o Rivoli, o Vitória, o Palácio, o Metro Passeio, o Plaza e o Colonial).                 

Hotel Copacabana Palace e prédio do antigo Hotel Balneário (o qual ficou mais conhecido posteriormente por abrigar o famoso Cassino da Urca), antes da reforma promovida pelo Instituto Europeu de Design no início do século XXI.

A nova estética também estimula o remodelamento de tradicionais centros de lazer do Rio como a Casa Cavé e a Confeitaria Colombo, considerada até hoje como um dos dez mais bonitos cafés do mundo, assim como o florescimento de ritmos como o choro e o samba.

Para a Exposição Internacional do Centenário da Independência, hotéis sofisticados como o Hotel Copacabana Palace, o Hotel Glória e o Hotel Balneário (o qual ficou mais conhecido posteriormente por abrigar o famoso Cassino da Urca) são inaugurados.

Em 7 de setembro de 1929, é inaugurado o Edifício ''A Noite'', o primeiro arranha-céu do Brasil. Como resultado de todas estas transformações da Belle Époque carioca que caracterizaram no ideário coletivo o Rio Antigo.

Em 1928, o jornalista e escritor maranhense Coelho Neto descreve o Rio de Janeiro em contos como "A Cidade Maravilhosa", apelido este que inspirou a marcha de carnaval de mesmo nome e composta em 1934 por Antônio André de Sá Filho.

O excêntrico arquiteto italiano, Virgilio Virzi, que em 1910 veio para o Brasil, foi o autor de vários prédios diferentes no Rio de Janeiro. Dentre eles, o prédio do Elixir de Nogueira, que ficava na Praia do Flamengo.

No Rio de Janeiro, Antonio Virzi deixou a mais conhecida marca do Art-Nouveau na cidade, o prédio do Elixir de Nogueira, que ficava na Rua da Glória 214 e que foi demolido no início dos anos 1970.

São Paulo - Industrial
Já em São Paulo, durante a República Velha (1889-1930), a cidade industrializa-se e a população salta de ao redor de 70 mil habitantes em 1890 para 240 mil em 1900 a 580 mil em 1920.
O auge do período do café é representado pela construção da segunda Estação da Luz (o atual edifício) no fim do século XIX e pela avenida Paulista em 1900, onde se construíram muitas mansões.

O vale do Anhangabaú é ajardinado e a região situada à sua margem esquerda passa a ser conhecida como Centro Novo.

A sede do governo paulista é transferida, no início do século XX, do Pátio do Colégio para os Campos Elísios.

São Paulo abrigou, em 1922, a Semana de Arte Moderna que foi um marco na história da arte no Brasil.

Em 1929, São Paulo ganha seu primeiro arranha-céu, o Edifício Martinelli. As modificações realizadas na cidade por Antônio da Silva Prado, o Barão de Duprat e Washington Luís, que governaram de 1899 a 1919, contribuíram para o clima de desenvolvimento da cidade; alguns estudiosos consideram que a cidade inteira foi demolida e reconstruída naquele período.

Com o crescimento industrial da cidade, no século XX, para a qual contribuiu também as dificuldades de acesso às importações durante a Primeira Guerra Mundial, a área urbanizada da cidade passou a aumentar, sendo que alguns bairros residenciais foram construídos em lugares de chácaras.

A partir da década de 1920 com a retificação do curso de rio Pinheiros e reversão de suas águas para alimentar a Usina Hidrelétrica Henry Borden, terminaram os alagamentos nas proximidades daquele rio, permitindo que surgisse na zona oeste de São Paulo, loteamentos de alto padrão conhecidos hoje como a "Região dos Jardins".
O principal símbolo da Belle Époque paulistana e também brasileira é o Teatro Municipal de São Paulo.

Teatro Municipal de São Paulo, um dos símbolos da Belle Époque brasileira.

A cidade desenvolveu-se devido a sua localização privilegiada no centro do complexo cafeeiro e também a proximidade ao Porto de Santos. A intensiva imigração para a cidade se destaca principalmente pela diversidade cultural da cidade, muito influenciada por italianos e também mistura de diversas regiões brasileiras, fora os bairros que abrigam colônias de imigrantes, como Liberdade, que abriga a maior colônia Japonesa fora do Japão, e o Bixiga, reduto de imigrantes italianos da cidade.

A Vila Penteado, um dos últimos edifícios remanescentes do estilo art nouveau na cidade de São Paulo, foi projetada pelo arquiteto sueco Carlos Ekman e construída em 1902 para abrigar duas importantes famílias paulistas, a do Conde Antonio Álvares Penteado e a de seu genro, Antônio Prado Junior.
Doada à USP em 1949, a luxuosa construção de dois pavimentos, com mais de 60 cômodos, é hoje a sede da Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU-USP.

Mudanças no Brasil
Mas não foram somente os costumes que mudaram, as cidades como consequencia sofreram alterações significativas para se aproximarem do estereótipo da cidade luz e beneficiar o comércio.

O Rio Civiliza-se!”, é a expressão mais corrente após a conclusão da Avenida Central. Baniu-se do centro da cidade do Rio de Janeiro a presença dos humildes e permitiu que a burguesia ganhasse as ruas, caminhando para uma nova cidade de rosto parisiense.

A nova configuração dos terrenos ao longo da Avenida permitiu a construção de grandes edifícios, em que todos tinham cunho estritamente comercial. A predominância de grandes lojas afastou definitivamente os pequenos comerciantes, que não tinham como arcar com tais despesas, fazendo da avenida lugar exclusivo das grandes corporações.

Cultura e Arte
A Belle Époque foi um período marcado pelas profundas mudanças no cotidiano de Paris, mudanças estas de boa repercussão para a elite da época. A França era o centro cultural mundial e todos queriam copiá-la.

O então nascente regime, a República, desejava inaugurar uma nova era no Brasil, e por isso procurou minimizar tudo que lembrava o Império e a colonização portuguesa.
As artes tomaram novos rumos, se aproximando das culturas francesa e italiana.

O Brasil não ficou de fora, artistas brasileiros como Augusto Rodrigues Duares, Henrique Bernardelli, Manuel Teixeira da Rocha, Pedro Américo, Pedro Weingartner e Eliseu Visconti estiveram presentes em exposições na França.

Porém foi em 1889, ano da Proclamação da República, que o nosso país por dentro começa a se desenhar com inspiração nos padrões franceses. A ligação com a França é profunda nesse período, entre os membros da elite brasileira era inconcebível não ir a Paris pelo menos uma vez ao ano, para estar a par das mais recentes inovações.

Era um referencial de vida para os intelectuais brasileiros, leitores ávidos de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Zola, Anatole France e Balzac.

No Brasil surgem grandes nomes de uma nova cultura, do sanitarista Oswaldo Cruz e do engenheiro Pereira Passos ao “Abre Alas” de Chiquinha Gonzaga.
Era uma nova segmentação de intelectuais, o Brasil queria mudar. De acordo com uma pesquisa de Alexei Bueno publicada em 2004 pela revista Rio Artes, valia de tudo para a imprensa do período da Belle Époque. Grandes figuras do jornalismo e das letras tratavam personalidades da literatura brasileira de até alguns anos atrás com deboches ácidos.

“Meticuloso, lamuriento, burilador de frases banais, bolorento pastel literário, autor de bombinhas da China”.

Considerado o maior escritor brasileiro, Machado de Assis foi assim atacado por alguém credenciado, o crítico literário Sílvio Romero, contemporâneo do escritor e jornalista como ele. Em seu livro Estudos de Literatura Contemporânea, Romero disse ainda que o autor de Quincas Borba não passava de um “pequeno representante do pensamento retórico e velho no Brasil” e que sua produção simbolizava “nosso romantismo velho, caquético, opilado e sem idéias”.

Mal sabia Romero que esse “pequeno representante” do Brasil iria ser reconhecido como um dos maiores escritores do nosso país, para não dizer “o maior”.

Art Nouveau no Brasil
A corrente artística comum deste período era a Art Noveau, que valorizava os ornamentos cores vivas e curvas sinuosas, sendo uma arte essencialmente decorativa. Suas principais obras são fachadas de edifícios, objetos de decoração como móveis, portões e jóias, por exemplo.

Na literatura, este movimento influenciou trazendo obras que voltavam-se para as épocas “áureas” de cada país. Havia ainda um desejo de libertação do antigo e uma procura pelo novo.

As influências artísticas da Art Nouveu chegaram ao Brasil no começo do século XX. Este estilo artístico penetrou no Brasil, principalmente na pintura decorativa e na arquitetura. Inclusive, houve influência, embora pouco expressiva, da art nouveau no movimento modernista brasileiro. Estas influências aparecem, principalmente, nas obras de John Graz (artista decorador) e Antonio Gomide (pintor e desenhista).

A Sociedade
É dessa época a fundação de Belo Horizonte, cidade planejada, e as grandes reformas urbanísticas empregadas no Rio de Janeiro, então Capital Federal, por Pereira Passos e Rodrigues Alves.

O período é caracterizado por forte moralismo e "repressão sexual", ideais de comportamento típicos da era vitoriana.

A unidade monetária vigente no Brasil ainda era o réis, um padrão instituído pelos portugueses na época colonial.

Em se tratando de língua portuguesa, as regras ortográficas obedeciam aos ditames do grego e do latim. Esse modo de escrever só acabou com a reforma ortográfica de 1943, em plena Era Vargas, e portanto, bem depois dessa Belle Époque versão "tupiniquim". Farmácia e comércio, por exemplo, eram escritos pharmacia e commercio.

O clima ufanista da época, fazia com que termos de novidades estrangeiras fossem aportuguesados. Um exemplo disso foi com o futebol, então recém chegado ao país, onde tentou-se renomeá-lo de ludopédio, sendo ludo = jogo e pédio = pé (bola no pé)

Oswaldo Cruz, um dos homens mais influentes da época.

Barão do Rio Branco, diplomata que incorporou o Acre ao Brasil.

Carlos Chagas

Rui Barbosa

Giuseppe Amisani, um dos pintores europeus mais influentes da época ao Brasil.

Silvio Romero, importante folclorista da época.

Estação da Luz, antigo prédio público de São Paulo, onde hoje funciona o Museu da Língua Portuguesa, de arquitetura eclética.

Avenida Central do Rio de Janeiro c. de 1909.

O Teatro Municipal do Rio é um dos maiores símbolos da Belle Époque Brasileira.

Pixinguinha, importante compositor e cantor da época

Alberto Santos-Dumont, inventor do avião

14 Bis de Santos Dumont

Primeira Guerra Mundial
O Brasil na Primeira Guerra Mundial tinha uma posição respaldada pela Convenção de Haia, mantendo-se inicialmente neutro, buscando não restringir o mercado a seus produtos de exportação, principalmente o café. Foi o único país latino-americano que participou da Primeira Guerra Mundial.

O conflito também afetaria a era em que se passava o Brasil.

Proclamação da República, 1893, óleo sobre tela de Benedito Calixto (1853-1927). Acervo da Pinacoteca Municipal de São Paulo

Marechal Deodoro da Fonseca

Ilustração da revista Dom Quixote, 1895 do presidente Floriano Peixoto

Prudente de Morais, primeiro presidente civil do Brasil.

Campos Sales.

Posse do Marechal Hermes, 1910.

Pinheiro Machado, idealista da República

Getúlio Vargas, "futuro" presidente do Brasil, e sua esposa Darci, no ano de 1911.

Revoltas
A Belle Époque foi também palco da Revolução Federalista no Rio Grande do Sul e do caudilhismo, com objetivos de derrubar o governador, Júlio de Castilhos e de liderança de Gaspar Silveira Martins, (líder dos maragatos) e Júlio de Castilhos, (líder dos chimangos).

A Belle Époque também foi palco da Revolta da Vacina

A Revolta da Armada: combate na fortificação da Mortena, na Gamboa (Le Monde Illustré, nº 1.926, 24/02/1894.).

Fotografia com o Coronel Gomes Carneiro em destaque e os "Heróis do cerco da Lapa", durante a Revolução de 1893.

Praça 7 de Setembro (RS) ocupada por soldados do 32º Batalhão de Infantaria após a derrota dos federalistas (Le Monde Illustré, 6 de setembro de 1894.)

Morte do Capitão Salomão da Rocha defendendo uma peça de artilharia durante a Campanha de Canudos (Revista Don Quixote, 1897).

A revolta da vacina em charge de Leonidas, publicada na revista O Malho, em 29/10/1904.

Gumercindo Saraiva, caudilho da época da Revolução Federalista

Senador Gaspar Silveira Martins, líder dos maragatos na Revolta de 1893.

Júlio de Castilhos, político positivista da época.

João Cândido, líder da Revolta da Chibata.

Revolta dos 18 do Forte de Copacabana: tenentes Eduardo Gomes, Siqueira Campos, Newton Prado e o civil Otávio Correia.

Revoltas do Período
Caldeirão de Santa Cruz do Deserto
Coluna Prestes
Comuna de Manaus
Guerra de Canudos
Guerra do Contestado
República de Cunani
Revolta da Armada
Revolução Federalista
Revolta da Chibata
Revolta da Vacina
Revolta dos 18 do Forte de Copacabana
Revolta Paulista de 1924
Revolução Acreana
Revolução de 1923
Sedição de Juazeiro

Influência
Deve-se olhar essa influência francesa com cuidado, pois a urbanização no Brasil, assim como toda a influência da Belle Époque, trouxe o dinamismo da metrópole para a capital brasileira, só que em troca acabou negando aspectos da brasilidade.

Havia, conforme apresenta Needell (1993, p. 67),

“[...] na avenida, como a Belle Époque que simbolizava, pulsava entre dois pólos [...]”,

Ou seja, um corpo brasileiro com máscara francesa. Assim, apesar de faltar coerência arquitetônica do modelo parisiense,

“[...] tal edifício transmitia com eficácia, por meio de sua fachada, de sua localização na avenida e de produtos ou vínculos europeus, a sensação neocolonial de civilização”.

Segundo Sevcenko,
[...] por trás dessas recriminações, estava o anseio de reservar a porção mais central da cidade, ao redor da nova avenida, para a ‘concorrência elegante e chic’, ou pelo menos modelar por esse padrão todos ou tudo que por ali passasse ou se instalasse. (SEVCENKO, 1999, p.34).

Todavia, não se deve esquecer que mesmo indicando que o brasileiro estava no caminho para uma europeização, também mostrava, claramente, uma negação do que era efetivamente brasileiro.

“Abraçar a Civilização significava deixar para trás aquilo que muitos na elite viam como um passado colonial atrasado, e condenar os aspectos raciais e culturais da realidade que a elite associava aquele passado.” (NEEDELL, 1993, p. 70).

Término da Belle Époque Tropical

O ex-presidente Rodrigues Alves com a família, 1913

O auge da Belle Époque brasileira terminou em 1922, com o Movimento Modernista, com a realização da Semana de Arte Moderna, a fundação do PCB e as rebeliões tenentistas.

Mas, a presença dessa cultura não desapareceu de uma só vez, e sim aos poucos, em um processo lento. A sua influência foi sentida até o começo dos anos 1930.

Num resumo podemos falar que a Belle Époque no Brasil é uma fase de transição do regime monárquico para o republicano, tanto que o fim da Belle Époque começa a se manifestar em 1922, ano em que ocorreu a semana da arte moderna, para de desintegrar totalmente até o final dos anos 20, quando acabaria a Primeira República.

É pela mudança dos valores cultuados pela sociedade brasileira que se caracteriza. Pelo preconceito cristalizado que se evidencia com o ideal de beleza que a republica quer passar. Com a imagem de uma população nobre e culta ser a digna para ser passada aos estrangeiros. Assim acabavam varrendo para os cantos a imensa maioria do povo brasileiro, em nome da suposta beleza e do comércio. Mas para falarmos desse outro lado da Belle Époque deixemos para o texto abaixo.

Considerações Finais
Podemos dizer que esta “obsessão” pela europeização, que por muito tempo se manteve restrita, na virada do século XX, tornava-se uma meta a ser alcançada. Essa meta trazia consigo o modelo da Belle Époque francesa, acabou por ocultar uma série de problemas latino-americanos, jamais imaginados em um contexto europeu.

Essa “obsessão” vai interferir diretamente na vida da população brasileira nesse momento, podemos citar, por exemplo, a Revolta da Vacina como uma das bandeiras que a população levanta contra essa modernidade que está sendo imposta de cima para baixo (ou de fora para dentro).

Assim, esse processo de modernização do país, que se mostra como uma tentativa de manutenção de poder por parte de uma sociedade conservadora, não obtém o sucesso esperado.
A arquitetura aqui construída e montada para demonstrar esta modernização é o maior exemplo disto. 

Ela demonstra uma fachada “civilizada”, mas, por dentro, uma sociedade ainda atrasada, envolta por um passado colonial e escravista, com uma elite dominante e que não se desvencilhará tão facilmente deste histórico. Ou seja, temos uma tentativa de modernização, mas a modernidade, fundada como o primado da razão, uma experiência histórica, onde há uma reformulação de conceitos e hábitos de uma sociedade, um esfacelamento de suas antigas crenças e valores, não acontece de fato.

Referências
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BERMAN, Marshall. Tudo que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
BRESCIANI, Maria Stella Martins. Londres e Paris no século XIX: espetáculo da pobreza. São Paulo: Brasiliense, 2004.
CARVALHO, José Murilo de. Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
CHALHOUB, Sidney. Cidade Febril: cortiços e epidemias na Corte imperial. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
HOBSBAWN, Eric J. A Era das Revoluções: Europa 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977a.
HOBSBAWN, Eric J. A Era do Capital: 1848 – 1875. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977b.
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33 Sérgio Luiz Milagre Júnior & Tabatha de Farias Fernandes
ORTIZ, Renato. Cultura e Modernidade: a França no século XIX. São Paulo. Editora
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Disponível em: <periodicos.pucminas.br/index.php/cadernoshistoria/article/view/1709>. Acesso em: 14 jan. 2012.
RÉMOND, René. O Século XIX: 1815 – 1914. São Paulo: Editora Cultrix, 1974.
SEVCENKO, Nicolau. Literatura como Missão: tensões sociais e criação cultural na
Primeira República. São Paulo: Brasiliense, 1999.

domingo, 5 de fevereiro de 2017


Paris – Franca
Esplendor e Contradições

“Transcorrida no Mundo entre 1870 e 1914, foi uma época brilhante, na qual infelizmente o mito do progresso gerou novos estilos de vida, incompatíveis com a moral, o esplendor e a cortesia”.


Nelson R. Fragelli
    La Belle Époque
A Belle Époque  ou La Belle Époque  (expressão francesa que significa bela época) foi o período de cultura cosmopolita na história da Europa que compreende cerca de quarenta e três anos, depois de anos de guerras imperiais e lutas de poder tendo início após a Guerra Franco-Prussiana, de 1870-71, que resultou na unificação da Alemanha, e terminando com o advento da Primeira Guerra Mundial, em julho de 1914.  

Entendendo
Para entender a Belle Époque, precisamos fazer uma parada rápida no século XIX.

Os anos 1800, já começaram com a Europa sendo sacudida pelas guerras de conquista orquestradas por Napoleão Bonaparte

Depois que Napoleão Bonaparte foi derrotado definitivamente (1815), os principais reinos europeus se organizaram em um grande evento diplomático, o Congresso de Viena, que tinha por principal objetivo colocar de volta nos seus respectivos tronos todos os reis que tinham sido depostos por Bonaparte, devolver as fronteiras aos seus traçados originais e reafirmar a autoridade dos reis e da Igreja.

Isso deu origem a uma onda de revoluções regionalizadas na década de 1820, reivindicando a independência de países como a Grécia, que pertencia ao Império Otomano.
Nestas revoluções já aparecia um elemento perigoso, que se manteve latente durante todo o século e teve um papel importante na Primeira Guerra Mundial: o Nacionalismo.

"A Liberdade Guiando o Povo", de Eugene Delacroix
 Alusão à Revolução de Julho de 1830, França

Em 1830, uma nova avalanche de levantes, que chegou a atingir o Brasil e tem relação direta com a renúncia do nosso imperador D. Pedro I.

Em 1848, quando as coisas estavam começando a parecer mais calma, mais de 50 levantes ocorreram pela Europa inteira, motivados por questões políticas e por uma crise agrícola gigantesca.

Nas décadas seguintes, a Itália e a Alemanha, ambas formadas originalmente por uma série de reinos independentes, se unificariam para dar origem aos países que conhecemos.

O Império Alemão, se formou após uma guerra na qual a França saiu vergonhosamente derrotada.

Introdução
A nostalgia do público francês pelo período da Belle Époque baseava-se, em grande parte, na paz e na prosperidade relacionadas com ele em retrospectiva. Duas devastadoras guerras mundiais e suas conseqüências fizeram a Belle Époque parecer um tempo de alegria de viver em contraste com as dificuldades do século XX.

Foi também um período de estabilidade que a França gozou após o tumulto dos primeiros anos da Terceira República francesa, começando com a derrota da França na Guerra Franco- Prussiana, a Comuna de Paris e a queda do general Georges Ernest Boulanger.

A derrota de Boulanger e as celebrações ligadas à Feira Mundial de 1889 em Paris, lançaram uma era de otimismo e riqueza. O imperialismo francês estava em seu auge. Era um centro cultural de influência global, e suas instituições educacionais, científicas e médicas estavam na vanguarda da Europa.

No entanto, não era inteiramente a realidade da vida em Paris ou na França. A França tinha uma grande sub-classe econômica que nunca experimentou grande parte das maravilhas e entretenimentos da Belle Époque. A pobreza permaneceu endêmica nas favelas urbanas de Paris e no campesinato rural durante décadas após o fim da Belle Époque.

O caso Dreyfus expôs as realidades escuras do anti- semitismo francês e da corrupção governamental.

Conflitos entre o governo e a Igreja Católica Romana foram regulares durante o período. Alguns da elite artística viu o Fin de siècle em uma luz pessimista.

A partir da década de 1870, graças à habilidade dos diplomatas, a Europa entrou em um período de relativa estabilidade e paz.

Este momento histórico coincidiu com a era da Terceira República Francesa e foi um período caracterizado pelo otimismo, paz na França e na Europa, bem como descobertas científicas e tecnológicas, que tornavam a vida mais fácil em todos os níveis sociais, e a cena cultural estava em efervescência:

Cabarés, o Cancan, o nascimento do cinema, e a arte tomava novas formas com o Impressionismo e a Art Nouveau.

A expressão Belle Époque, contudo, só surgiu depois do conflito armado para designar um período considerado de expansão e progresso, nomeadamente a nível intelectual e artístico.

Foi uma época marcada por profundas transformações que se traduziram em novos modos de pensar e viver o cotidiano.

Belle Époque e Modernidade:
-Entusiasmo e Euforia com o Progresso
Foi considerada uma era de ouro da beleza, inovação e paz entre os países europeus.

Mas, na verdade, não é possível demarcar tão rigorosamente seus limites, uma vez que ela é mais um estado espiritual do que algo mais preciso e concreto.

Mudanças
A "Belle Époque" foi representada por uma cultura urbana de divertimento incentivada pelo desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte, que aproximou ainda mais as principais cidades do planeta.

Em meados do século XIX, cinco importantes mostras internacionais organizadas na cidade-luz indicaram as novas inclinações estéticas aos artistas de todo o mundo.

Uma delas, a de 1855, revelou uma oposição entre os seguidores do neoclassicismo de Dominique Ingres e os do romantismo de Eugéne Delacroix. Este saiu vitorioso do embate, estendendo seu triunfo ao movimento cultural por ele representado.

Nesta mesma exposição o artista Gustave Courbet, ao ver seus trabalhos rejeitados, montou próximo ao salão das obras expostas seu Pavilhão do Realismo.

Em 1867, seus esforços são recompensados, pois neste ano ele e sua obra tornam-se o centro das atenções, com o êxito da escola realista.
Sabemos que o processo de industrialização na Europa e também no Norte dos Estados Unidos começou a ter um amplo desenvolvimento ainda durante a primeira metade do século XIX.

Esse desenvolvimento possibilitou a mecanização do trabalho, antes manual e manufaturado, e a consequente produção em larga escala de bens de consumo (comida e vestimentas em geral), transportes (trens e navios a vapor, bondes elétricos, automóveis) e bens de produção (maquinários de diversas ordens).

Nessa esteira, na segunda metade do século XIX e nos primeiros anos do século XX, maiores avanços tecno-científicos foram conseguidos, como o advento da medicina higienista de Louis Pasteur e da microbiologia.

Tudo isso provocava uma euforia com o progresso, uma fé na ciência e na tecnologia que dava à população da época a nítida certeza de que vivia um período exuberante e frenético.

O mundo começava também a se integrar globalmente em razão de invenções como o telégrafo transcontinental.

No clima do período, especialmente em Paris, as artes floresceram. Muitas obras-primas da literatura, música, teatro e artes visuais ganharam reconhecimento.

A Belle Époque foi nomeada, em retrospecto, quando começou a ser considerada uma "Idade de Ouro", em contraste com os horrores da Primeira Guerra Mundial.

Tratou-se de uma época de otimismo entre a população que passou a ter uma grande crença no futuro.
Nos novos-ricos Estados Unidos, que emergiam do Pânico de 1873, a época comparável foi apelidada de Gilded Age.

A Belle Époque americana é instalada rapidamente no país, por meio de uma breve industrialização que começa em meados de 1875, e depois ainda sobrevive até 1930, sendo aos poucos minada por novos movimentos agrícolas.

Na Grã-Bretanha, a Belle Époque coincidiu com a Era Vitoriana tardia e a Era Eduardiana.

Na Alemanha, a Belle Époque coincidiu com os reinado do káiser Guilherme I e Guilherme II.

Na Rússia coincidiu com os reinados dos czares Alexandre III e Nicolau II.

Na Itália com os reinados dos reis Vítor Emanuel II, Humberto I da Itália e o início do reinado de Vítor Emanuel III.

No México com o período foi conhecido como Porfiriato.

O Brasil vivia os anos finais do Império com Dom Pedro II e os primeiros anos da República.

Na Europa, os antigos Império Austro-Húngaro e Império Otomano, com capitais em Viena e Constantinopla respectivamente, ainda eram considerados grandes potências, apesar de ambos terem sidos desmantelados após a Primeira Guerra Mundial.

A Belle Époque foi uma era efusiva em que a crença no progresso civilizacional e no desenvolvimento tecno-científico dava a tônica do momento, um período de paz internacional, crescimento econômico, relativa estabilidade política e urbanização acelerado.
Os epicentros deste mundo eram Paris e Viena, capitais da vida social e cultural.

Não por um acaso a Belle Époque é, por excelência, a era das invenções e dos prazeres – mas também de tensões sociais.

Principais Causas
Com o fim da guerra Franco-Prussiana, surge na Europa uma política de estabilidade, apesar da insatisfação francesa em perder os territórios de Alsácia-Lorena para a Alemanha em 1871, o que acabou gerando também uma tensão militar entre aquelas potências.

A despeito da corrida armamentista que se desenrolava, o clima de progresso da Segunda Revolução Industrial provocou um forte êxodo rural e favoreceu o desenvolvimento de uma cultura urbana cosmopolita e de divertimento, fomentada pelos avanços nos meios de comunicação e transporte.

Principais Características
O ponto marcante desta época foi o estilo de vida boêmio e otimista, com destaque para a França, a qual se tornou o centro Global de toda influência educacional, científica, médica e artística após a instauração da Terceira República Francesa, em 1870.

Ademais, se a nação francesa era o polo difusor, Paris era o núcleo da Belle Époque Mundial.

Paris - Centro Cultural Mundial
O núcleo da Belle Époque era Paris, na altura o centro cultural do mundo.
Ir a Paris ao menos uma vez por ano era quase uma obrigação entre as elites, pois garantia o vínculo com a atualidade do mundo.

Paris se torna o centro cultural mundial, com seus cafés-concertos, balés, operetas, livrarias, teatros, boulevards e a alta costura inspirando e influenciando várias regiões do Planeta. Toda a elite intelectual consome avidamente os livros de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Zola, Anatole France e Balzac, uma referência existencial para os que estavam sintonizados com os ares da Belle Époque.

Esta era é até hoje relembrada como uma época de florescimento total do belo, de transformações, avanços e paz entre o território francês, onde este movimento se centralizou, e os países europeus mais próximos.

Política
Os anos entre a Guerra Franco- Prussiana e a Primeira Guerra Mundial foram caracterizados por uma estabilidade política incomum na Europa Ocidental e Central.

Embora as tensões entre os governos francês e alemão persistiram como resultado da perda francesa da Alsácia-Lorena para a Alemanha em 1871, conferências diplomáticas, incluindo o Congresso de Berlim em 1878, a Conferência de Berlim Congo em 1884 e a Conferência de Algeciras em 1906, medidas que ameaçavam a paz européia em geral.

A França gozava de relativa estabilidade política em casa durante a Belle Époque. A morte súbita do presidente Félix Faure no cargo tomou o país de surpresa, mas não teve nenhum efeito desestabilizador sobre o governo.

A política europeia viu muito poucas mudanças de regime, com a maior exceção sendo Portugal, que experimentou uma revolução republicana em 1910.

No entanto, as tensões entre os partidos socialistas operários, os partidos liberais burgueses e os partidos conservadores arrogatórios ou aristocráticos aumentaram em muitos países. Foi afirmado que a profunda instabilidade política desmentia a calma superfície da política européia na época.

De fato, o militarismo e as tensões internacionais cresceram consideravelmente entre 1897 e 1914, e os anos imediatamente anteriores à guerra foram marcados por uma competição geral de armamentos na Europa.
Adicionalmente, esta era um colonialismo ultramarino maciço, sabido como o imperialismo novo.
A parte mais famosa desta expansão imperial foi a Corrida pela África.

Ao mesmo tempo, este período testemunhou a escalada do socialismo organizado e dos militantes operários. Os confrontos criados por este novo cenário, somados às controvérsias políticas então vigentes, geraram um posicionamento dos franceses entre a esquerda e a direita.

Simultaneamente, os trabalhadores começaram a organizar sindicatos e partidos políticos, nomeadamente os socialistas.

Mesmo com esta tensão no ar, o contexto desta época é lembrado como a era dourada, subitamente abalada pelo início da Primeira Guerra Mundial.

Na Ásia, o Japão, que passava pelo período chamado Era Meiji rapidamente se modernizava e industrializava e começava a rivalizar as potências européias.

Caso Dreyfus 
A questão política mais séria para enfrentar o país durante esse período foi o caso Dreyfus. O capitão Alfred Dreyfus foi injustamente condenado por traição, com provas fabricadas de funcionários do governo francês.

O anti- semitismo dirigido a Dreyfus, e tolerado pelo público francês em geral na sociedade cotidiana, era uma questão central na controvérsia e nos julgamentos judiciais que se seguiram.

O debate público em torno do caso Dreyfus cresceu em tumulto após a publicação de J'accuse, uma carta enviada aos jornais pelo proeminente romancista Émile Zola, condenando a corrupção do governo e o anti-semitismo francês.

O caso de Dreyfus consumiu o interesse do francês por diversos anos e recebeu a cobertura pesada do jornal.

Uma manchete de jornal para a carta aberta de Émile Zola ao governo francês e ao país, condenando o tratamento do Capitão Alfred Dreyfus durante o Caso Dreyfus.

Classes
De fato, para muitos europeus no período da Belle Époque, as afiliações transnacionais, de classe, eram tão importantes quanto as identidades nacionais, particularmente entre os aristocratas.

Um cavalheiro da classe alta poderia viajar por grande parte da Europa Ocidental sem um passaporte e até residir no exterior com a mínima regulamentação burocrática.

Enquanto isso, o movimento operário internacional também se reorganizou e reforçou identidades pan-européias, de classe, entre as classes cujo trabalho apoiava a Belle Époque.

A organização socialista transnacional mais notável foi a Segunda Internacional.

Anarquistas de diferentes afiliações foram ativos durante o período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial. Assassinatos políticos e tentativas de assassinato ainda eram raros na França (ao contrário da Rússia), mas houve algumas exceções notáveis, incluindo a presidente Marie François Sadi Carnot em 1894.

Uma bomba foi Detonado na Câmara dos Deputados da França em 1893, causando lesões, mas não mortes.

O terrorismo contra civis ocorreu em 1894, perpetrado por Émile Henry, que matou um patrono do café e feriu vários outros.

Progresso Materiais
A prosperidade da era francesa se refletiu em eventos importantes, como a evolução da Família Peugeot a partir da produção e distribuição de café e bicicletas até a fabricação de carros, começando com um protótipo em 1890.

De toda forma, pudemos vislumbrar em todo Ocidente, as revoluções provocadas com a melhoria nos transportes públicos de massa (trens e navios a vapor) ou individuais (Ford T e a bicicleta), pelas tecnologias de telecomunicações (telefone e telégrafo sem fio), ou pela substituição da iluminação a gás pela elétrica.

Houve também grandes progressos a nível da química, da eletrónica e da siderurgia, assim como da medicina e da higiene, o que permitiu fazer baixar as taxas de mortalidade.

Inovações tecnológicas como o telefone, o telégrafo sem fio, o cinema, a bicicleta, o automóvel, o avião, inspiravam novas percepções da realidade.

Ainda na França surgiram o pneumático de borracha removível de Edouard Michelin (1890), o Peugeot Tipo 3 (1891), a primeira força aérea nacional (1910), a indústria cinematográfica de Auguste e Louis Lumière, dentre outras.

O Ford T, um carro "bom e barulhento", como diziam seus contemporâneos, grande símbolo progressista da Belle Époque.

Uma das formas encontradas para celebrar todos estes progressos, foi a organização da Exposição 

Universal de Paris, que teve lugar em 1900, nos Campos Elísios e nas margens do rio Sena.

Invenções Modernas e Mudanças Sociais
Entretanto, havia o outro lado — realidade contraditória com o encanto social da Belle Époque.
Ela representa a segunda impressão que logo vem à lembrança, ainda hoje, quando pensamos naquele período entre 1870-1914.

Essa realidade se apresentou insidiosamente às pessoas de então, sob a máscara atraente do enorme progresso técnico. As cidades grandes foram as primeiras a adotar as invenções: eletricidade, telefone, rádio, cinema, bicicletas, automóveis. As conquistas da tecnologia entusiasmavam.

Os olhos se enchiam de lágrimas ao verem os primeiros balões dirigíveis contornar as torres das catedrais ou ao se ter notícia, na Patagônia ou no Saara, da vitória japonesa em Port Arthur, no momento em que as armas ainda fumegavam: - o telégrafo dava ao homem um novo senso de sua presença na Terra. Acreditava-se que a máquina a vapor e a eletricidade dariam ao mundo uma forma de felicidade nunca antes obtida.

Acontece que o progresso técnico trazia em seu bojo profundas mudanças sociais e morais, dele inseparáveis. Poucos viram esse perigo.
Desejava-se juntar ao esplendor social os confortos trazidos pela técnica.
Mas a máquina, trazendo velocidades e a produção em massa, minava a sociedade.

O trem — e logo depois o automóvel — trouxe o gosto pelas viagens — nascia o turismo, visitavam-se estações balneárias e montanhas desconhecidas da maioria.

Consequentemente incrementava-se o esporte e com ele a modificação dos trajes, adaptados às novas maneiras e sempre tendentes a considerar como aceitável o que até pouco antes era visto como imoral. O esporte separava as gerações, pois os mais velhos ainda não os praticavam em razão das normas do decoro: como era ridículo ver alguém de fraque e cartola pedalando bicicletas! Com o esporte vieram as danças cujo ritmo parecia competir com a velocidade das máquinas, acelerando-se sempre, sempre mais sensuais.

Do minueto passara-se à valsa, da valsa ao charleston e ao tango.

A indústria empregava moças e elas, ainda então ligadas aos círculos da família paterna até o casamento, passaram a trabalhar como operárias ou secretárias, tornadas independentes pelo salário. 

Aumentavam as uniões fora dos laços sagrados do matrimônio cristão, apareciam os primeiros casos de divórcio, caía a prática religiosa. Em vários países europeus aumentava a prostituição.

A glorificação das velocidades intoxicou os espíritos que passaram a se distanciar de toda forma de recolhimento.


Entre os balões dirigíveis e a torre da catedral, esta passou a representar o passado petrificado enquanto os dirigíveis simbolizavam o futuro, o movimento, pois eles permitiam o descortino de horizontes mais vastos.

Ciência e Tecnologia
Vários inventores franceses patentearam produtos com impacto duradouro na sociedade moderna.

Peugeot Tipo 3 construído em França em 1891.

O primeiro cartaz cinematográfico do mundo, para a comédia L'Arroseur Arrosé , 1895.

Telephony video do século XX como imaginado em France em 1910.

A Belle Époque foi uma época de grande avanço científico e tecnológico na Europa e no mundo em geral.

As invenções da Segunda Revolução Industrial que se tornaram geralmente comuns nessa época incluem a perfeição de carruagens levemente soltas e silenciosas em uma infinidade de novas formas de moda, que foram substituídas para o final da era pelo automóvel, que foi para sua primeira década um Luxuoso experimento para o bem-de-salto.

Automóvel
Os fabricantes de automóveis franceses, como a Peugeot, já eram pioneiros na fabricação de automóveis.

Aumentam a lista dos meios de transporte a invenção dos automóveis (o primeiro motor de combustão foi patenteado em 1879, o primeiro carro foi construído em 1885 e a palavra “automóvel” aparece em 1897).

Pneu
Edouard Michelin inventou pneus removíveis pneumáticos para bicicletas e automóveis na década de 1890.

Ciclomotor
O scooter e ciclomotor também são invenções Belle Époque.

Telefone
Depois que o telefone juntou o telégrafo como um veículo para a comunicação rápida, o inventor francês Édouard Belin desenvolveu o Belinograph, ou o Wirephoto, para transmitir fotos pelo telefone.

Luz Elétrica
A luz elétrica começou a substituir a iluminação do gás, e as luzes de néon foram inventadas na Franca.

Cinema
A França foi um líder de tecnologia de cinema precoce.

Em 1895, em Paris, os irmãos Lumière fizeram a primeira demonstração pública do cinematógrafo, dando início ao cinema, que foi uma das diversões mais populares da primeira metade do século XX.
O cinématographe foi inventado na França por Léon Bouly e posto em uso por Auguste e Louis Lumière.

Os irmãos Lumière fizeram muitas outras inovações na cinematografia. Foi durante essa época que os filmes foram desenvolvidos, embora estes não se tornaram comuns até depois da Primeira Guerra Mundial.

Avião
O avião, com duas datas aceitas pela Federação Internacional de Aeronáutica: os irmãos Wright, americanos, em 1903 e o brasileiro Santos Dumont em 1906.

Cartão-postal francês com ilustração do primeiro vôo de Santos Dumont

Embora o avião permanecesse uma experiência fascinante, a Franca era líder na aviação.

Força Aérea
A França estabeleceu a primeira força aérea nacional do mundo em 1910.

Helicóptero
Dois inventores franceses, Louis Breguet e Paul Cornu, fizeram experiências independentes com os primeiros helicópteros voadores em 1907.

Radioatividade
Henri Becquerel descobriu a radioatividade em 1896 enquanto trabalhava com materiais fosforescentes. Seu trabalho confirmou e explicou observações anteriores sobre sais de urânio por Abel Niépce de Saint-Victor em 1857.

Matemática
O matemático e físico Henri Poincaré fez contribuições importantes para a matemática pura e aplicada, e também publicou livros para o público em geral sobre temas matemáticos e científicos.

Quimica
Marie Skłodowska-Curie trabalhou na França, ganhando o Prêmio Nobel de Física em 1903 e o Prêmio Nobel de Química em 1911.

Fisica
O físico Gabriel Lippmann inventou a imagem integral, ainda em uso hoje.

O carvão barato e a mão-de-obra barata contribuíram para o culto da orquídea e possibilitaram a perfeição dos frutos cultivados sob vidro, à medida que o aparelho dos jantares de estado estendia-se às classes superiores.

Indústria Naval
Com melhorias nos motores, os navios de comércio e de viagem se tornaram maiores e mais rápidos e também mais baratos, com a divisão em três classes de passageiros.

Em 1897, um navio da North German Lloyd completou o percurso entre Southampton (Inglaterra) e Nova York (USA) em 5 dias, 17 horas e 8 minutos.

Fotografia
A fotografia também se populariza durante a Belle Époque, com a invenção das máquinas portáteis fabricadas pela Kodak.

Medicina e Salubridade
As concepções médicas e estéticas sobre saúde também mudaram drasticamente neste período, passando a enfatizar a atividade física como necessária para uma vida saudável.

Foi nessa época que biólogos e médicos finalmente chegaram a entender a teoria dos germes da doença, e o campo da bacteriologia foi estabelecido. Louis Pasteur foi talvez o cientista mais famoso na França durante este tempo. Pasteur desenvolveu pasteurização e uma vacina contra a raiva.

Feiras
Foi durante a "belle époque" que ocorreu a Feira Mundial de Paris (em 1889) e a Torre Eiffel foi erguida, como entrada para a feira.

Por volta dessa época, Paris foi considerada o centro do desenvolvimento intelectual, científico e médico, assumindo a liderança na Europa e em todo o mundo, uma vez que a América ainda estava se recuperando da crise de 1873.

A Torre Eiffel, tornou-se o símbolo habitual da cidade, dos seus habitantes e dos visitantes de todo o mundo.

O grande símbolo dessa atmosfera de modernização que caracterizou a Belle Époque foi a chamada 

Exposição Universal (Exposition Universelle, em francês), realizada em 1900, em Paris

Essa exposição consistia em uma feira aberta de mostras tecnológicas e culturais que ocorria em vários pontos da capital francesa.

O objetivo era render homenagens e fazer demonstrações do que havia sido inventado, dos aparatos técnicos da última leva, da nova moda de vestimentas, novos monumentos públicos e a nova arte (geralmente no estilo Art nouveau).

Estilo
Existia na sociedade em geral o desejo de buscar um estilo que refletisse e acompanhasse as inovações da sociedade industrial.

A segunda metade do século XIX marcou uma mudança estética nas artes, a inspiração na antiguidade vigorava desde o século XV, e as fórmulas baseadas no Renascimento começam a dissipar-se dando lugar a Arte Nova, que se opunha ao historicismo e tinha como tônica de seu discurso a originalidade, a qualidade e a volta ao artesanato.

A sociedade aceitou novos objetos, móveis, anúncios, tecidos, roupas, jóias e acessórios criados a partir de outras fontes: curvas assimétricas, formas botânicas, angulares, além dos motivos florais.

Arquitetura
As técnicas de construção foram aperfeiçoadas, tornando possíveis coisas como a Torre Eiffel e o Grand Palais, em Paris.

Paris tinha sido profundamente alterado pelas reformas do Segundo Império francês para a arquitetura da cidade e as amenidades públicas.

Haussmann fez a renovação de Paris mudou sua habitação, layouts de rua, e espaços verdes. Os bairros transitáveis eram bem estabelecidos pela Belle Époque.

Grandes edifícios públicos, como a Opéra Garnier, dedicaram espaços enormes a projetos de interiores como locais de show Art Nouveau.

Mobilidade
Depois de meados do século XIX, as ferrovias ligaram todas as grandes cidades da Europa a cidades termais como Biarritz, Deauville, Vichy, Arcachon e a Riviera Francesa.

Suas carruagens foram rigorosamente divididas em primeira classe e segunda classe, mas os super-ricos agora começaram a comissionar treinadores ferroviários privados, como exclusividade, bem como a exibição foi uma marca de luxo opulento.

O sistema metropolitano de metro de Paris juntou-se ao omnibus e ao eléctrico para transportar a população trabalhadora, incluindo os criados que não moravam nos centros ricos das cidades.

Sociedade
Duas impressões vêm à mente da maior parte das pessoas quando pensam na:

Belle Époque

- As roupas femininas — saias longas, apertadas na cintura, chapéus largos, a sombrinha não podia faltar.
- Os trajes masculinos — fraque escuro e cartola. Ainda hoje, em ocasiões de gala, os homens usam esse traje como sendo o máximo da elegância.

Indissociavelmente ligadas a tal modo de vestir ficaram na lembrança as boas maneiras e a cortesia.
Eram nas festas, recepções, concertos que essa distinção de trato encontrava o ambiente próprio a se desenvolver e encantar a sociedade.
Não havia maior prazer do que a conversa.
A arte de conversar era então das mais cultivadas.
No centro dessa arte estava a “cortesia”.

Isto é, a consideração pela dignidade própria ao interlocutor, fosse ele sacerdote, nobre ou pessoa do povo.

A escolha do assunto? — se é que se pode falar de escolha, pois ele surgia segundo a ocasião social, iluminando-se gradativamente, suavemente, como o acender das velas por lacaios em libré, lustre após lustre, naqueles salões.

O desenvolvimento do assunto e a escolha das frases, isto sim, era circunstancial, fazendo da conversa uma obra de minuciosa composição temática.
Uma obra que encantava.

Ritos como numa Liturgia Temporal
Que críticas não se deviam fazer em determinado ambiente?
Ou em que medida fazer elogios?
Em caso de uma discussão, como manter a elevação da conversa?
Caso se tratasse de convite para um jantar, por exemplo, que flores oferecer e com que traje comparecer?
Como se servir dos talheres, do guardanapo, dos vinhos?

Terminada a refeição, prescreviam os ritos sociais conhecer o momento oportuno de se retirar, a fim de nem sobrecarregar a hospitalidade dos anfitriões com uma conversa muito longa, nem dar a impressão de aborrecimento, retirando-se apressadamente.

Todos os atos da vida social eram organizados segundo regras — flexíveis de acordo com o bom senso, é claro, mas que constituíam uma verdadeira liturgia da vida civil — cuja finalidade era dar ao próximo respeito, reverência e honra.

Havia então uma ordem de valores que unia a todos da sociedade e essa ordem era superior aos interesses ou aos prazeres individuais.
Essa liturgia era um resto da antiga caridade cristã, ensinada pela Igreja, e cujo modelo tinham sido as interlocuções dos monges nos mosteiros e nas abadias.
Havia um momento da vida monacal dedicado à conversa — e ela era obra de santificação — que ensinava a dominar as inclinações e controlar a vontade própria em favor do próximo.
Primava a “caridade”.
Assim, na Belle Époque, foi a amenidade e a elegância da vida social que a tornaram bela.

A vida de salão atraía irresistivelmente a todos, porque no contato humano a cortesia dá um prazer durável.

A cortesia é o melhor portador de “respeito e amizade”: - dois sentimentos que confortam a alma.
A distinção orienta o homem no sentido diáfano do anjo.

No Brasil - Episódio de Joaquim Nabuco ilustrativo da época
Talvez um exemplo faça luz sobre a cortesia de então:

Nos primeiros anos do século XX, em plena Belle Époque, chefiava Joaquim Nabuco a Missão Diplomática do Brasil em Londres. Pertencente a uma família de políticos, intelectual de renome, tomado por abstrações filosóficas e políticas, Nabuco era conhecido por suas distrações. Tendo recebido convite, belamente impresso, para jantar em casa de outro embaixador, esforçou-se por chegar à hora, pois embora a pontualidade não estivesse de modo algum em seus hábitos, na Inglaterra ela sempre foi rigorosamente exigida. Recebido pontualmente pelo mordomo, teve entretanto de esperar um tempo mais longo do que habitual até que aparecesse o embaixador, acompanhado de sua senhora. Amabilíssimos, contentes com a presença de Nabuco, mestres na arte de receber, incitaram-no a falar — desde sobre florestas exóticas do Brasil até os movimentos sociais da recente República — o que muito lhe agradou.

Terminados o jantar e a animada conversa, o casal o acompanhou até a saída, e ao abrir-lhe a porta do cabriolé, disse então o diplomático anfitrião, com ligeira inclinação:

“Prezado Doutor Nabuco, segundo o convite que tivemos a honra de lhe enviar, nós o aguardamos então, amanhã, para o jantar”.

Nabuco tinha se enganado de data e comparecido um dia antes...

Salões e a Nobre Arte da Conversa
Não surpreende que, em razão dessa amenidade de trato, nas grandes cidades européias os salões se multiplicavam em todas as classes sociais.

- A elite, em seus palácios, discutia arte e literatura, ambas em rápida transformação.
- Política era também um tema central. Monarquistas afeitos às belas e boas tradições enfrentavam os republicanos imbuídos de suas idéias de progresso e reformas sociais. –
- Nos salões burgueses se reuniam nos cafés.
- Escritores e poetas freqüentavam cafés literários; professores e cientistas os cafés universitários.
- As novidades científicas empolgavam, pois as descobertas e invenções se multiplicavam.

Na medicina surgiam novos remédios e métodos cirúrgicos. Em todos esses salões cintilavam inteligências.

- Quando o clima permitia, sobretudo na primavera e no verão, concertos e espetáculos ao ar livre reuniam nos grandes parques e jardins pessoas provenientes dos mais variados salões. Paris e Berlim ofereciam jardins cujo elevado bom gosto se refletia para os paulistanos no Parque da Luz e no Parque Antarctica, e para os cariocas na Praça Paris.

Salões” nas Pequenas Cidades e Aldeias
Havia também “salões” — talvez os mais autênticos — nas pequenas cidades e nas aldeias.

À saída da Missa, pequenos grupos de pessoas se reuniam num café ou em casa de uma delas, quando não os recebia o chefe político local.

A literatura, as artes, a ciência não constituíam os grandes temas das conversas. O centro das atenções era a vida do lugar. Uma cabra desaparecida, uma onça vista à noite ao lado do curral, o incêndio no paiol do vizinho, a chegada do novo pároco, rumores de que ladrões vindos de longe rondavam a região, narrativas de caçadas eram assuntos próprios a inflamar as conversas. Por vezes as reuniões se davam também durante a preparação das festas religiosas ou das procissões solenes. Desses encontros até crianças participavam, ouvindo silenciosamente, aprendendo com os mais velhos. Não havia rádio.

A televisão estava ainda mais distante. Não havia, portanto, a excitação das novidades e a ânsia comercial despertada pela propaganda. As pessoas assim se preservavam, conservando o caráter autêntico de sua família e de sua região, sendo cada uma delas uma personalidade rica em particularidades.

Precisamente esta riqueza tornava interessante o contacto, pois de que vale encontrar-se com pessoas padronizadas pela propaganda, tal como cada um dos outros?

Se nesses “salões” a delicadeza cortês e as sutilezas de linguagem podiam não ser a nota dominante, como na capital, a autenticidade das almas oferecia uma variedade de caracteres também ela encantadora.

Este esplendor das relações sociais conferiu à Belle Époque seu qualificativo de bela, tornando-a inesquecível.

Os principais centros urbanos e culturais dessa época, além de Paris, eram Viena, Berlim e Londres.

A formação desses centros urbanos inundados de inovações tecnológicas, como o telégrafo, o automóvel, os trens e bondes elétricos, o fonógrafo e gramofone, o telefone, a fotografia e, principalmente, o cinema, acabou por modelar também o comportamento e os sentidos humanos. Isso teve uma repercussão muito grande na arte. Movimentos das artes plásticas, como o impressionismo e o expressionismo, nasceram da necessidade de se representar a realidade de modo a captar algo diverso do que a fotografia já era capaz de fazer.

O historiador Philip Blom, em sua obra Anos vertiginosos: mudança de cultura no Ocidente – 1900-1914, mostra claramente a sensação que era percebida naquela época:

Velocidade e euforia, angústia e vertigem eram temas recorrentes entre 1900 e 1914, quando as cidades explodiram em suas dimensões e as sociedades foram transformadas, a produção em massa entrou para a vida cotidiana, os jornais tornaram-se impérios das comunicações, o público de cinema contava-se às dezenas de milhões e a globalização trazia aos pratos dos britânicos carne da Nova Zelândia e cereais do Canadá, aniquilando a venda de velhas classes fundiárias e promovendo a ascensão de novos tipos: engenheiros tecnocratas, as classes urbanas.

Para Blom, o caráter vertiginoso desses anos de Belle Époque exprimia também a própria essência do que era ser moderno, no sentido de ruptura com as bases da cultura tradicional do Ocidente. Segundo esse historiador:

[…] A modernidade não emergiu virgem nas trincheiras de Somme. Muito antes de 1914, já se afirmava solidamente nas mentes e nas vidas da Europa. A primeira Guerra não funcionou como elemento gerador, mas catalisador, forçando velhas estruturas a ruir mais rapidamente e novas identidades a se afirmar mais facilmente.

Nas grandes cidades o ambiente mudou radicalmente, o que era visível nas principais avenidas, onde se multiplicavam os cafés, os cabarets, os ateliers, a galerias de arte, espaços frequentados pela média burguesia, que tinha cada vez mais posses.

Do ponto de vista cultural, assistimos a multiplicação das livrarias, salas de concertos, boulevards, atêliers, principalmente as parisienses, de onde saíam quase todas as tendências estéticas e artísticas globais produzidas durante o período.

No século XIX, surgiram em Paris os grandes magazines, como Le Bon Marché e Printemps (que, a propósito, são até hoje as grandes lojas de departamentos que não se pode deixar de visitar estando em Paris), novos palácios de compras que revolucionariam o sistema comercial e industrial da moda.

Exterior da loja de departamentos 'Printemps' que revolucionou os hábitos das francesas.

Interior da loja de departamentos 'Printemps'.

Neste período estende-se de 1895-1914, suas maiores características eram o esplendor e a opulência.

A Belle Époque apresentava uma estrutura de classe que assegurava mão-de-obra barata. Um resultado desse deslocamento da classe operaria com novos meios de mobilidade foi a suburbanização, permitindo que os bairros da classe trabalhadora e da classe alta fossem separados por grandes distâncias.

A Moda e os Hábitos
Em 1829, que o francês Barthélemy Thimmonier inventou a máquina de costura.


Passou-se a se valorizar muito as curvas do corpo feminino e nunca a cintura fora tão afunilada.

O ideal feminino era ter 40 cm de cintura e, para isso, as mulheres recorriam a cirurgias por meio das quais pudessem tirar as costelas flutuantes e deformar mais ainda seus corpos com o uso do espartilho.


A silhueta feminina também passou por uma grande mudança, perdendo os volumes tão típicos da moda vitoriana.

Durante esse período, o corpo feminino também passou a ser muito coberto por tecidos. Todas as 
partes do corpo ficavam ocultas exceto as mãos e as faces, isso quando não fossem usadas luvas.

Usavam-se golas altas cobrindo o pescoço, saias em forma de sino com as quais as mulheres não conseguiam andar se não dessem pequenos passos, botas para evitar o indecoroso aparecimento de suas canelas e adornos de chapéus como, por exemplo, flores enfeitando coques fofos.

As penas e peles exóticas eram mais proeminentemente apresentadas na moda do que nunca, como a alta-costura foi inventada em Paris, o centro da Belle Époque, onde a moda começou a se mover em um ciclo anual.

As mulheres ainda totalmente cobertas. Não podia aparecer nada.

As mulheres eram românticas no vestir, mas opulentas em função da nova silhueta em forma de “S” formada pelo uso exagerado do espartilho. Isso porque com o uso do mesmo, criava-se o “peito de pombo” e os quadris empinados pra trás que eram consequência disso, formando assim o “S”.

Os famosos "corsets" ou espartilhos que modelavam os corpos femininos da Belle Époque.


No entanto as roupas utilizadas por cima dessa estrutura eram leves e fluídas, com detalhes românticos e femininos.

Os tecidos mais usados eram a seda, a musselina, o crepe e o tule. Todos em cores pastéis. Os detalhes eram feitos com pregas e acessórios como plumas e fitas.

Propaganda de uma fábrica de roupas da moda parisiense da Belle Époque

Uso indispensável em momentos especiais eram os grandes e enfeitados chapéus.
Ele era o que chamava a atenção na cabeça da mulher da Belle Époque.
De todos os tipos, cores e tamanhos, de preferência grandes e chamativos.




Mais para o final da Belle Époque, o embrião do que hoje conhecemos como tailleur, mas ainda com o uso dos belos e charmosos chapéus.

Outra novidade foi a masculinização do visual feminino para que as mulheres pudessem andar de bicicleta ou a cavalo mais confortavelmente, usando um traje mais esportivo. Surgiu assim, uma espécie de saia-calção bufante e, mais tarde, com a incorporação dessas roupas ao dia-a-dia, o tailleur, que nada mais é senão o terninho feminino.


Começou-se a tomar banho de mar como forma de lazer, o que antes tinha apenas funções terapêuticas. Mas a roupa que usavam era muito diferente das que conhecemos hoje, e muito interessante também, era feita de malha (normalmente em fios de lã) e cobria o tronco indo até os joelhos. Sem contar que entrava-se no mar de meias e de sapatos.

Principais Características da Belle Époque
- Influência do Art Noveau, das formas curvilíneas;
- Cinturas extremamente afuniladas, a famosa “Ampulheta”;
- Golas altas e decotes fechados;
- Saias sem anquinhas, porém volumosas, muito ajustadas e em formato de sino;
- Chápeus com flores sobre coques;
- Botas de cano curto;
- Prática de esportes, principalmente o Hipismo e o Tênis;
- Banhos de mar com malhas de lã, meias, sapatos e capa.
- Alta-Costura em evidência com novos nomes, tais como, Jacques Doucet, John Redfern e Paul Poiret.



Um cartoon 1900 da revista Le Frou Frou (assinado "Jan Duch")


O cartoon acima satiriza uma tendência de estilo favorecendo seios pequenos (um peito grande ainda pode ser aceitável nas províncias, mas não em Paris. 

Mulher com seis fartos

Moda e Modismo
Os homens mantinham vestuário discreto, mostrando que a mulher era o centro da atenção.



Esportes
As práticas desportivas começam a se tornar populares em várias camadas sociais: ciclismo, automobilismo, ginástica, patinação, natação, golfe, remo, futebol.

Os Jogos Olímpicos são trazidos de volta à vida pelo Barão de Coubertin em 1894, como resultado dessa valorização dos esportes.

Maurice Garin, vencedor do primeiro Tour de France, realizado em 1903
Campo
Embora no campo os avanços tecnológicos tenham demorado a chegar e a vida e o trabalho permanecessem muito parecidos com dois séculos antes, havia uma atmosfera de otimismo e entusiasmo pelo progresso e pelo estado geral da sociedade.

Industria
Nos últimos 100 anos, a indústria se desenvolvera e com ela o movimento operário, que garantira melhorias como a redução das jornadas de trabalho; mas este movimento operário também representava um problema para os patrões à medida que as ideias socialistas e anarquistas cresciam entre os trabalhadores.

Exodo Rural
Cada vez mais, as pessoas trocavam o campo pela cidade em busca de melhores oportunidades, liberando mão-de-obra para a indústria e comércio, mas também aumentando a população pobre nas periferias das grandes cidades.

Na Belle Époque, a concentração de população pobre em “construções insalubres” foi alvo de uma cruzada do poder público, que buscava melhorar as condições sanitárias dos centros da cidades – mas acabava expulsando as pessoas pobres de suas casas e para bairros cada vez mais afastados.

Antes das reformas da Belle Époque, nem mesmo Paris se parecia com a Cidade-Luz que conhecemos.

Esta foto faz uma comparação entre a cidade na década de 1860 e uma foto atual, com construções do período da Belle Époque.

Cultura
Com seus cafés-concertos, balés, óperas, livrarias, teatros, boulevards e alta costura. Paris, a Cidade Luz, era considerada o centro produtor e exportador da cultura mundial.

A cultura boêmia imortalizada nas páginas do romance de Henri Murger, Scènes de la vie de bohème (1848).

Ocorreram ainda várias mudanças no mundo da arte na Europa, fazendo com que teatros, exposições de telas, cinemas, entrassem no cotidiano dos burgueses.

E apenas eles tinham acesso a este mundo da arte.

A Arte
Durante a Belle Époque surgiram três correntes artísticas a nível da pintura, o fauvismo (Matisse foi o seu maior representante), o cubismo (onde se destacou Picasso) e o impressionismo (com Claude Monet como iniciador (1840- 1926).

Mabel Normand, famosa atriz de cinema que estrelou ainda na Belle Époque

O estilo chamado art nouveau ("arte nova" em português) foi típico da Belle Époque. Esta corrente artística surgiu nos finais do século XIX, em reação ao emprego abusivo na arte de motivos clássicos ou tradicionais.

Em vez de se basear nos sólidos modernos da arte clássica, a art nouveau valorizava os ornamentos, as cores vivas e as curvas sinuosas baseadas nas formas elegantes das plantas dos animais e das mulheres.

É uma arte essencialmente decorativa sendo as principais obras desse estilo fachadas de edifícios, objetos de decoração (móveis, portões, vasos), jóias, vitrais e azulejos.
Um dos pintores mais conhecido da Arte Nova é Alfonse Mucha.

Lição de Arte (1901), do desenhista norte-americano Charles Dana Gibson

Tendo surgido, acredita-se, de uma série de influências na arte, também na literatura, considera-se que entre os seus precursores estão William Morris e o movimento Arts and Crafts, o movimento Pré-Rafaelita, o Historicismo do Romantismo do Barroco, do Revivalismo Gótico e Celta, William Blake e Walter Crane, as gravuras Japonesas , Oscar Wilde, o ideal wagneriano de Gesamtkunstwerk, de Aubrey Beardsley, a poesia simbolista de Mallarmé e das pinturas de Toulouse-Lautrec, Munch, Whistler, Nabis e Seurat.

Outras formas de arte tipicamente modernistas, como o cubismo de Picasso, buscavam recursos das culturas primitivas de outros continentes, como a África.

A própria aura tecnológica foi um modelo imitado pela pintura, no caso dos futuristas, como Giacomo Balla, que procurava passar a impressão de velocidade em seus quadros.

Na pintura, o Modernismo (Art Nouveau, em francês) assumiu as tendências e foi considerado o movimento mais popular durante este período.

Este estilo decorativo caracterizado por formas curvilíneas, tornou-se proeminente a partir de meados da década de 1890 e, gradualmente, dominou a maior parte da Europa.
Sua utilização na arte pública em Paris e em suas estações de metrô o tornou uma marca registrada da cidade.

A Pintura
O nome Impressionismo, como tantos outros exemplos na História da Arte, inicialmente teve um cunho pejorativo. Foi um rótulo posto no trabalho de um grupo de artistas que, de acordo com os críticos da época, acreditavam na impressão do momento como algo tão importante que se bastava por si mesma, dispensando as técnicas tradicionais acadêmicas.

Esses artistas realizaram inúmeras exposições em Paris entre 1874 e 1886, porém, sua aceitação pelo público foi lenta e sofrida, pela incompreensão ao trabalho realizado.

Ridicularizados, inicialmente pela crítica, por não seguirem a tradição pictórica que vinha sendo solidificada desde o renascimento, acabaram por, paulatinamente, obter o respeito e aceitação de suas “novas técnicas“ por parte do público. E como acontece em muitas ocasiões a crítica foi a reboque dos acontecimentos.

Na verdade, o impressionismo era a busca da imagem ao natural, a importância do pincel na formulação da obra.

"Bal au Moulin de la Galette", obra-prima de Renoir, 1876.


 O Moulin de la Galette  ainda exite na Butte Montmartre no 18ème.

Obra de Renoir "La Danse à la Ville", 1883, Musée D'Orsay.

Claude Monet, o mestre do impressionismo, "Femmes au Jardin", 1883,
atualmente no Musée D'Orsay.

Claude Monet, "The Walkers, Bazille and Camille", 1865, obra de propriedade da National Gallery of Art, Washington DC, USA.

Em 1890, Vincent van Gogh morreu. Foi durante a década de 1890 que seus quadros alcançaram a admiração que os havia escapado durante a vida de Van Gogh, primeiro entre outros artistas, e depois gradualmente entre o público. Reações contra os ideais dos impressionistas caracterizaram as artes visuais em Paris durante a Belle Époque. Entre os movimentos pós-impressionistas em Paris estavam o Nabis, o Salon de la Rose + Croix, o movimento simbolista (também na poesia, música e arte visual), o fauvismo e o modernismo primitivo.

Entre 1900 e 1914, o Expressionismo tomou conta de muitos artistas em Paris e Viena. As primeiras obras do cubismo e da abstração foram exibidas. Influências estrangeiras estavam sendo fortemente sentida em Paris também.

A escola de arte oficial de Paris, a École des Beaux-Arts, realizou uma exposição de gravuras japonesas que mudou as abordagens do design gráfico, dos cartazes e da ilustração do livro (Aubrey Beardsley foi influenciado por uma exposição semelhante quando visitou Paris durante a década de 1890).

Exposições de arte tribal africana também capturou a imaginação de artistas parisienses na virada do século XX.

Impressionismo
Embora o impressionismo na pintura tenha começado bem antes da Belle Époque, inicialmente ele foi encontrado com ceticismo, se não desprezo por um público acostumado com a arte realista e representacional aprovado pela Academia.

Em 1890, Monet começou sua série Haystacks. O impressionismo, que tinha sido considerado a vanguarda artística na década de 1860, não ganhou aceitação generalizada até depois da Primeira Guerra Mundial.

O estilo de pintura acadêmica, associado com a Academia de Arte em Paris, manteve o estilo mais respeitado entre o público em Paris.

Os artistas que apelaram ao público Belle Époque incluem William-Adolphe Bouguereau , o inglês pré-rafaelita John William Waterhouse , e Lord Leighton e suas representações de idílica cenas romanas.

Os gostos mais progressivos frequentavam os pintores de plein-air da escola de Barbizon . Esses pintores eram associados dos pré-rafaelitas, que inspiraram uma geração de " almas " de espírito estético.

Literatura
A nível literário a época ficou marcada pelo surgimento de novos géneros, como os romances policiais e de ficção científica, onde se destacaram os heróis solitários, como Arsène Lupin ou Fantômas, que se mascaravam e usavam armas modernas e inovadoras.

É a época das boemias literárias, como as de Montmartre e Munique. Dessa literatura de cafés e boulevards, de transição pré-vanguardista, é que vão se originar os inúmeros–ismos que dela advieram.

O Café de la Paix em 1900.
Este café existe até hoje de frente para a Ópera Garnier

Em literatura, considera-se que um dos principais precursores do estilo Art Nouveau Revivalismo Celta, especialmente na Inglaterra, Escócia, Irlanda e Escandinávia, o qual teria dado, voltando-se para as "épocas áureas" de cada país.

Apesar dos motivos medievais de cavalaria usados por esta tendência literária, que contribui para a Art Nouveau em outros gêneros artísticos, havia nesta escola um desejo da libertação do antigo e uma certa procura do novo, que refletiu-se em movimentos como o Novo Paganismo ou o Novo Hedonismo.

O retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde "caracterizava-se pela Nova Voluptuosidade".
Quanto à literatura, o realismo e o naturalismo foram dominantes durante a "Belle Époque", destacando autores como Guy de Maupassant e Émile Zola.
O realismo foi, posteriormente, envolvido no modernismo. A poesia não ficou muito atrás, com o destaque de escritores simbolistas, como Charles Baudelaire e o "enfant terrible", Arthur Rimbaud.

Na França, por volta de 1900, a inquietação resultante das transformações científicas por que passava a humanidade, estava no auge. Os escritores, embora cultuando Charles Baudelaire, Jean Rimbaud, Paul Verlaine e Stéphane Mallarmé, aos quais se juntavam os estrangeiros Edgard Allan Poe, Walt Whitman, Émile Verhaeren e Gabriele d'Annunzio, já não se contentavam apenas com as soluções simbolistas então em moda. Arquitetavam novas teorias culturais, experimentavam timidamente outras fórmulas expressivas, fundavam revistas e redigiam manifestos.

Charles Baudelaire, cujos primeiros trabalhos passaram despercebidos, já havia escrito aos 20 anos alguns dos poemas que comporiam o seu livro mais famoso, Les Fleurs du Mal, publicado em 1857, depois de 15 anos de paciente elaboração.

Aos 26 anos, Baudelaire leu um conto de Edgard Allan Poe, iniciando a sua admiração pelo poeta estadunidense, cuja obra em prosa traduziu e publicou, ao longo de quase 17 anos.

Foi Charles Baudelaire, o homem que criou o conceito do flâneur parisiense. Só aos 36 anos, Baudelaire sentiu que deveria reunir seus poemas em livro, optando pelo título de Les Fleurs du Mal. 
Uma crítica saída no Le Figaro atraiu os olhos da censura, levando a justiça a condenar o livro por ultraje à moral pública e aos bons costumes, além de exigir a supressão de seis poemas. Só em 1949 essa decisão foi revogada.

Charles Beaudelaire, escritor francês, autor de "Les Fleurs du Mal".

O Paraíso das Damas de Émile Zola

Émile Zola foi o idealizador e principal expoente do naturalismo na literatura. Seu texto conhecido como O Romance Experimental (1880) é o manifesto literário do movimento. Émile Zola é muito importante para a Belle Époque, com sua obra, “Au Bonheur des Dames”. Este homem que tem seus restos mortais repousando, merecidamente, no Panthéon de Paris.

Inspirado pela novidade dos magazines, Émile Zola, um dos grandes autores do realismo francês, publicou em 1883 "Au Bonheur des Dames" (O Paraíso das Damas). É uma obra obrigatória para quem se interessa pela história da moda e dos hábitos da sociedade francesa à época. Zola fez uma ampla pesquisa econômica, arquitetônica e urbanística para escrever este livro, que aborda praticamente todas as questões do comércio moderno da moda, desde a força da publicidade ao ainda incipiente culto do corpo, desde produção frenética da novidade aos dispositivos de sedução utilizados nas vendas.

Este lado sociológico é a melhor coisa do livro, que tem como fio condutor a relação amorosa entre uma balconista vinda da classe baixa e o rico proprietário do grande magazine Au Bonheur des Dames. É particularmente sagaz e importante a análise que Émile Zola faz da maneira como este comércio nascente explora a psicologia das mulheres.

Émile Zola, criador e representante mais expressivo da escola literária naturalista, além de importante figura libertária da França.

O realismo gradualmente se transformou em modernismo, que surgiu na década de 1890 e chegou a dominar a literatura européia durante os últimos anos da Belle Époque e ao longo dos anos de entre guerras.

O clássico modernista Em Busca do Tempo Perdido foi iniciado por Marcel Proust em 1909, para ser publicado depois da Primeira Guerra Mundial. As obras do alemão Thomas Mann tiveram um enorme impacto na França, como Death in Venice, publicado em 1912.

Colette chocou a França com a publicação da série romance Claudine sexualmente franco, e outras obras.

Joris-Karl Huysmans, que veio à proeminência, em meados dos anos 1880, continuou a experimentar com temas e estilos que seriam associados com o simbolismo e o movimento Decadente, principalmente em seu livro a rebours.

André Gide, Anatole França, Alain-Fournier, Paul Bourget estão entre os escritores de ficção mais populares da França na época.

O movimento decadente fascinou os parisienses, intrigado por Paul Verlaine e acima de tudo Arthur Rimbaud, que se tornou o enfant terrible arquétipo da França. As iluminações de Rimbaud foram publicadas em 1886, e subseqüentemente suas outras obras foram publicadas, influenciando Surrealists e Modernists durante o Belle Époque e em seguida. Os poemas de Rimbaud foram as primeiras obras de verso livre vistas pelo público francês. Verso livre e experimentação tipográfica também surgiram em Un Coup de Dés Jamais N'Abolira Le Hasard de Stéphane Mallarmé, antecipando Dada e poesia concreta.

A poesia de Guillaume Apollinaire introduziu aos leitores temas e imagens da vida moderna.
Cosmopolis: A Literary Review teve um impacto de longo alcance sobre os escritores europeus, e correu edições em Londres, Paris, São Petersburgo e Berlim.

Art Nouveau
Na arquitetura surgiu o estilo Art-Nouveau, com suas formas curvelíneas, contornos sinuosos, assimetria, ritmo elegante, feito de linhas entrelaçadas e sempre dando a idéia de movimento e seus adornos exuberantes.

Destaca-se enquanto movimento artístico da Belle Époque, o estilo “Art Nouveau”, um fazer ornamental de cores vibrantes e formas sinuosas, presente desde as fachadas dos edifícios até nos objetos decorativos, como joias e mobiliários.

O espanhol Antonio Gaudí y Cornet, com seu trabalho revolucionário em Barcelona. Não se pode falar na Art-Nouveau sem mencionar arquiteto francês, Hector Guimard, projetista das entradas do metrô de Paris no período de 1889 a 1904.

O estilo Art-Nouveau obteve a consagração internacional durante a Exposição Universal de 1900, realizada em Paris, em comemoração à passagem do século.

As entradas do Metrô de Paris de 1900.

Théâtre L'Athénée Louis-Jouvet na Rue Bordeau, 9ème arrondissement, belíssimo exemplar do estilo Art-Nouveau na arquitetura.

Detalhe da fachada do teatro L'Athénée


Interior do teatro L'Athénée

O Castel Béranger, o mais famoso prédio de Paris em estilo Art-Nouveau, fica na Rue des Fontaines, 14 no 3ème arrondissement. O Castel Béranger foi inaugurado em 1890.

Art Nouveau (Arte Nova), é um estilo artístico que surgiu na França na década de 1890 e prevaleceu até o final da década de 1920. Espalhou-se pela Europa, Estados Unidos e outros países do mundo, inclusive chegando ao Brasil.

Este estilo artístico atingiu vários setores artísticos como, por exemplo, design, arquitetura, artes decorativas, artes gráficas e criação de móveis (arte mobiliária).

Este estilo fazia uso de materiais como o vidro, a madeira e o cimento, e relacionava-se com a produção industrial em série.

Os artistas deste estilo artístico faziam uso dos conhecimentos físicos e matemáticos, e valorizavam muito a lógica e o conhecimento racional, se opondo ao movimento romântico e à valorização das expressões sentimentais na arte.

A natureza e suas imagens eram muito valorizadas, retratadas com linhas em movimentos e arabescos. O uso das cores era feito com tonalidades frias nas pinturas e a figura feminina era muito retratada.

Artistas importantes da Art Nouveu:
- Victor Horta - projetista e arquiteto belga
- Ferdinand Hodler – pintor suíço
- Emile Gallé – designer e artesão francês.
- Alfons Maria Mucha - designer e ilustrador checo.
- August Endell – arquiteto alemão
- Jan Toorop – pintor holandês
- Hector Guimard – arquiteto e desenhista industrial francês
- Antoni Gaudí – arquiteto espanhol.
- Henry van de Velde – projetista, designer e arquiteto belga.
- Gustav Klimt – pintor e desenhista austríaco
- Joseph Olbrich – arquiteto austríaco
- Les Vingt – pintor belga
- Emilie Flöge – designer austríaca

A maior igreja construída em estilo art-nouveau do mundo é o Templo Expiatório da Sagrada Família, localizado em Barcelona (Espanha). Patrimônio Mundial da Unesco, ela foi projetada pelo arquiteto Antoni Gaudí. Ainda em construção, ela tem atualmente 107 metros de altura. Deverá ser finalizada em 2027, quando chegará a 170 metros.

Você sabia?

Suas características envolvem a valorização das cores vivas, curvas sinuosas que se baseavam nas formas das plantas, animais e mulheres, além dos ornamentos. As principais obras deste estilo são fachadas de edifícios, vitrais, joias, móveis e portões.

É o movimento de arte mais popularmente reconhecido a emergir do período. Este estilo amplamente decorativo (Jugendstil na Europa Central), caracterizado por suas formas curvilíneas e motivos inspirados na natureza tornou-se proeminente a partir de meados da década de 1890 e dominou o design progressivo em grande parte da Europa.

Os artistas proeminentes em Paris durante o Belle Époque incluíram pós-impressionistas como Odilon Redon, Gustave Moreau, Maurice Denis, Pierre Bonnard, Édouard Vuillard, Paul Gauguin, Henri Matisse, Émile Bernard, Henri Rousseau, Henri de Toulouse-Lautrec Substancialmente depois de sua morte), Giuseppe Amisani e o jovem Pablo Picasso.

Formas mais modernas de escultura também começaram a dominar, como nas obras de Auguste Rodin, um parisiense.

Muitos exemplos bem sucedidos de Art Nouveau, com notáveis variações regionais, foram construídos em França, Alemanha, Bélgica, Espanha, Áustria (Secessão de Viena), Hungria, Boêmia e Letónia.

Ele logo se espalhou pelo mundo, inclusive para o Brasil, Argentina, México e Estados Unidos.
Com muitas influências orientais, o Art Nouveau traz para a arquitetura e para as artes decorativas uma inspiração retirada da natureza, mas executada com muito mais leveza do que a cerimoniosa arte do período vitoriano.

Com muitas referências a folhas, galhos e animais, a arquitetura do Art Nouveau apresenta linhas longas e sinuosas, misturando elementos artísticos e industriais, combinando vitrais e madeiras entalhadas com estruturas em ferro, por exemplo.

Este estilo vai atingir não apenas as construções, mas a mobília, os objetos de decoração, jóias e roupas.

Detalhe de uma construção de 1905 em Paris.
Broche da Casa Lalique, s.d.

Interior da joalheria Fouquet, em Paris, projetado por Alfons Mucha em 1901.

“Quartos da Lua”, 1902.
Alfons Mucha é o artista que melhor resume todas as características do Art Noveau 

Jóias e Objetos de Decoração
Em Nancy, Émile Gallé criou uma escola artesanal que produziu vasos e móveis para todo o mundo ocidental.

Em Paris, destacou-se René Lalique, que criou jóias no estilo de Gallé. Todos abordoando motivos florais em riscos de rara finura.

Sala de jantar de Hector Guimard, hoje exposta no Musée D'Orsay.

Vaso de René Lalique, 1902

Cultura do Divertimento
No fim do século XIX o êxodo rural, o desenvolvimento das comunicações e a eletricidade, aliadas ao crescimento urbano propiciaram o surgimento da cultura do divertimento.

Essa cultura ganhou status social na burguesia através dos cabarés, onde era possível encontrar a fusão dos elementos da cultura erudita com os elementos das classes baixas.

Aqueles que foram capazes de se beneficiar da prosperidade da época foram atraídos para novas formas de entretenimento leve durante a Belle Époque, e a burguesia parisiense, ou os industriais bem sucedidos chamados nouveau-riches, tornou-se cada vez mais influenciada pelos hábitos e modismos da cidade Classe social de elite, conhecida popularmente como Tout-Paris ("toda Paris", ou "todos em Paris"). O Casino de Paris abriu em 1890.

Música
Musicalmente, a Belle Époque foi caracterizada pela música de salão. Isso não foi considerado música séria, mas sim peças curtas consideradas acessíveis a uma audiência geral.
Além de obras para piano solo ou violino e piano, a Belle Époque era famosa por seu grande repertório de canções (melodias, romanze , etc).

Os italianos foram os maiores defensores desse tipo de canção, sendo seu maior campeão Francesco Paolo Tosti. Embora as canções de Tosti nunca deixassem completamente o repertório, a música do salão de beleza caiu geralmente em um período da obscuridade.

Mesmo como encores, os cantores tinham medo de cantá-los em recitais sérios.

Nesse período, as valsas também floresceram. As operetas também estiveram no auge de sua popularidade, com compositores como Johann Strauss III, Emmerich Kálmán e Franz Lehár.

Muitos compositores da Belle Époque que trabalham em Paris ainda são populares hoje: Igor Stravinsky, Erik Satie, Claude Debussy, Lili Boulanger, Jules Massenet, César Franck, Camille Saint-Saëns, Gabriel Fauré e seu aluno, Maurice Ravel.

Dança
A dança moderna começou a emergir como um poderoso desenvolvimento artístico no teatro. 

Dançarino Loie Fuller apareceu em locais populares como o Folies Bergère, e levou seu estilo de desempenho eclético no exterior também.

Os Ballets Russes de Sergei Diaghilev trouxeram fama a Vaslav Nijinsky e estabeleceram a técnica moderna do ballet. Os Ballets Russes lançaram várias obras-primas de ballet, incluindo The Firebird e The Rite of Spring (às vezes provocando tumultos ao mesmo tempo).

Boemia
Bohemian na Belle Époque  criou estilos de vida e ganhou um glamour diferente, perseguido nos cabarés de Montmartre.

Cabarés
Os cabarés habitam nosso imaginário através das pinceladas do pintor Henri de Toulouse-Lautrec e dos filmes americanos, registros de uma tradição folclórica que um dia pode chegar ao fim. A afirmação tem como base a transformação de alguns cabarés parisienses em casa de espetáculos à americana.

O mais famoso dos cabarés que ainda apresentam o tradicional Cancan – Moulin Rouge – é um dos poucos que preservam heroicamente o espetáculo do século XIX.

O restaurante também guarda a tradicional decoração que lembra a “belle époque”.

Obras do pintor Eugene Galien Laloue (1854 – 1941): Paris na Belle Époque.

“Impressão nascer do sol” de Claude Monet

Falar da Belle Époque é evocar a imagem de dançarinas com meias negras, corpetes de veludo rosa e chapéus cheios de penas dançando can-can num cabaré em Paris, para uma audiência formada por cavalheiros ingleses bem vestidos, artistas boêmios e militares austríacos em seus uniformes garbosos.

Embora o imaginário popular tenha retido bem uma parte da atmosfera do período – no qual a diversão se tornou algo a ser perseguido e que estava disponível a preços para todos os bolsos.

Para o público menos afluente de Paris, o entretenimento era fornecido por cabarés, bistros e music-halls.

O Moulin Rouge cabaré é um marco de Paris ainda aberto para negócios hoje.

O Folies Bergère foi outro marco local. Burlesque desempenhou estilos foram mais mainstream em Belle Époque de Paris do que qualquer cidade da Europa e América.

Liane de Pougy, dançarina, socialite e cortesã, era conhecida em Paris como uma manchete em cabarets.

Os bailarinos da Belle Époque, como La Goulue e Jane Avril, eram celebridades de Paris, que modelaram a arte do cartaz icónico de Toulouse-Lautrec .

A dança Can-can foi um estilo popular de cabaré do século XIX que aparece nos cartazes de Toulouse-Lautrec da época.

Teatro
O popular teatro burguês de Paris foi dominado pelas fadas leves de Georges Feydeau e performances de cabaré.

O teatro adotou novos métodos modernos, incluindo o expressionismo, e muitos dramaturgos escreveram peças que chocavam o público contemporâneo, quer com suas representações francas da vida cotidiana e da sexualidade, ou com elementos artísticos incomuns.

Teatro de cabaré também se tornou popular.

Indústria do Divertimento
Em 1890, marcou um "antes e depois" para a indústria global de entretenimento com o aparecimento do cinema, que foi popularizado pelos irmãos Lumière e pelas produções magníficas de Georges Méliès.

A indústria do divertimento (parque de diversão e cinema) foi possível devido ao desenvolvimento da eletricidade e a diminuição da jornada de trabalho, fazendo com que os operários tivessem mais horas livres para o lazer.

Os parques e os cinemas transformaram-se em divertimento de massa, porque o ingresso era barato e esses divertimentos provocavam um desprendimento momentâneo da realidade cotidiana das pessoas.

Cartazes Publicitários
Com isso, vem à cena o surgimento das vanguardas entre os artistas, a busca pelo novo e a necessidade de diferenciação dos demais.

Destaca-se o papel da arte na propaganda, em especial a arte de Henri Toulouse-Lautrec nos cartazes buscando, através da estética, uma tentativa de promoção e persuasão.

Cartaz de propaganda típico da Belle Époque
Gastronomia
Em Paris, restaurantes como o Maxim's Paris alcançaram um novo esplendor e um esplendor como lugares para os ricos desfilarem. Maxim's Paris foi indiscutivelmente o restaurante mais exclusivo da cidade.

A cozinha francesa continuou a subir na estima dos gourmets europeus durante a Belle Époque.

A palavra "ritzy" foi inventada durante esta época, referindo-se à atmosfera elegante e clientela do Hôtel Ritz Paris. O chefe de cozinha e co-proprietário do Ritz, Auguste Escoffier, foi o preeminente chef francês durante a Belle Époque.

Escoffier modernizou a alta gastronomia francesa, também fazendo muito trabalho para espalhar sua reputação no exterior com projetos de negócios em Londres, além de Paris.

O Champagne foi a bebida durante a Belle Époque.

O absinto álcool espírito foi citado por muitos artistas Art Nouveau como uma musa e inspiração e pode ser visto em grande parte das obras de arte da época.

Transformação dos Sentidos
Contudo, esse entusiasmo da Belle Époque teve os seus críticos, que, de um modo ou de outro, previram certos efeitos que seriam colhidos com a grande catástrofe que foi a Primeira Guerra Mundial.

Um deles foi o psiquiatra austríaco Sigmund Freud, que percebeu os problemas que as sociedades de massa, integradas pelos meios de comunicação e pelo alto desenvolvimento industrial, poderiam provocar.

A rivalidade entre as nações, pautada no ressentimento de conflitos e divergências passados, foi um desses problemas.

O Fim de uma Época
A Belle Époque terminou com o eclodir da Primeira Guerra Mundial, nomeadamente porque as notáveis invenções daquele período passaram a ser utilizadas como tecnologia de armamento.

Utopia Socialista, Desluzimento de uma bela época
Politicamente, os republicanos oriundos da Revolução Francesa viam com simpatia os novos costumes. Sabiam que a decadência moral dos anos precedentes à Revolução de 1789 tinha sido uma das principais causas da vitória revolucionária. Partidários do progresso e da técnica consideravam os restos de tradições cristãs como incompatíveis com os novos tempos. Essa mesma corrente evoluía, aos poucos, rumo à aceitação da utopia socialista.

Tanto os aficionados à elevação social daqueles anos, na qual viam um ideal a ser conservado, quanto os partidários do progresso tiveram enorme sobressalto com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em meados de 1914.

- Os primeiros viam no terrível conflito a destruição de tradições tão preciosas e belas.
- Os outros, por reconhecer no progresso o criador de máquinas mortíferas nunca antes fabricadas.

A brutalidade da Guerra sufocou na lama das trincheiras e nos gazes mortíferos a beleza daquela época.
O mundo nunca mais voltou a ser o que era.
O esplendor social empalideceu para em seguida entrar em obscuro ocaso.
O que poucos sabem é que a expressão Belle Époque só surgiu depois da I Guerra Mundial para designar um período considerado de expansão e progresso, principalmente em nível intelectual e artístico.

Como disse Philippe Julian em seu ensaio sobre este período para o Museu Metropolitano de Nova York:

“A Belle Époque é um daqueles momentos nos quais o mito substitui completamente a história no imaginário ocidental.”

Hoje, em meio às frustrações de uma sociedade altamente tecnológica e vazia de conteúdo moral e religioso, um número crescente de pessoas admira o esplendor e lamenta o desaparecimento daquela doce liturgia que no convívio da Belle Époque  regulava os atos de cortesia.

O que poucos sabem é que a expressão Belle Époque só surgiu depois da I Guerra Mundial para designar um período considerado de expansão e progresso, principalmente em nível intelectual e artístico.

Como disse Philippe Julian em seu ensaio sobre este período para o Museu Metropolitano de Nova York:


“A Belle Époque é um daqueles momentos nos quais o mito substitui completamente a história no imaginário ocidental.”





Notas:

O colaborador solicita, mandem email: catolicismo@terra.com.br