terça-feira, 7 de fevereiro de 2017



Brasil na Belle Époque
Brazil Tropical

Do Império à República
A Belle Époque Brasileira, também conhecida como Belle Époque Tropical ou Era Dourada, vertente tropical da Belle Époque europeia. Foi um período de mudança artístico, cultural e político do Brasil, que começou em fins do Império no reinado de D. Pedro II e prolongou até fins da República Velha (1889-1931) com o presidente Getúlio Vargas.

A Belle Époque, no Brasil, difere de outros países, seja pela duração do período, seja pelo avanço tecnológico, que se deu, principalmente, nas duas regiões mais prósperas do país na época: a região do ciclo da borracha (Acre, Amazonas, Rondônia e Pará), região cafeeira (São Paulo e Minas Gerais).

A Belle Époque brasileira é, no entanto, instaurada lentamente no país, por meio de uma breve introdução que começa em meados de 1880, e depois ainda sobrevive até 1925, sendo aos poucos minada por novos movimentos culturais.

No Brasil a ligação com a França é profunda nesta fase da História. Entre os membros da elite brasileira, era inconcebível não ir a Paris ao menos uma vez por ano, para estar sempre a par das mais recentes inovações.

Borracha, a riqueza que produziu
La Belle Èpoque na Amazonia
A borracha produziu a Belle Époque na Amazônia e impôs um modelo europeu de urbanização no início do século XX.

Um sonho francês na floresta tropical, define bem a época da Belle Époque em Belém e em Manaus. Se de um lado a mão-de-obra empregada na exploração da borracha mostrava o lado miserável e que nem tudo era luxo e fantasia neste contexto; do outro, temos duas cidades que viviam um frenesi provocado pelas riquezas oriundas desta economia.

Financiada pelo Látex, a Belle Époque amazônica iniciou-se em 1871. Centrada principalmente nas cidades de Belém (capital do Estado do Pará) e Manaus (capital do Estado do Amazonas), período foi marcado por intensiva modernização de ambas as cidades no século XIX, com avanços arquitetônicos em relação a outras cidades, como o Teatro da Paz, inaugurado em 1878.

Belém e Manaus estavam na época entre as cidades brasileiras mais desenvolvidas, e entre as mais prósperas do mundo. Ambas possuíam luz elétrica, bondes e sistema de água encanada e esgotos.
Viveram seu apogeu entre 1890 e 1911, gozando de tecnologias inexistentes nas cidades do sul e sudeste brasileiro, tais como bondes elétricos, avenidas construídas sobre pântanos aterrados,

Belém do Pará
Belém, Província do Pará, evoluiu rapidamente, reforçando o discurso da época: progresso e civilização, amplamente defendido pelos governadores republicanos a partir de 1889.

Ruas arborizadas, avenidas calçadas, prédios em estilo neoclássico ou art noveau espalhavam o clima de modernidade que refletia o ritmo das exportações e se desdobrava, ainda mais na arquitetura e no comportamento social. Destaque é dado à administração de Antônio Lemos, comprometido com os valores burgueses dos grandes comerciante empresários.

Lemos idealizou e concretizou uma urbanização disciplinadora quando implementou obras de infra-estrutura e saneamento: reformas de cemitério, construção de hospitais e asilos, caixa d’águas, mercados, matadouros, usina de lixo, jardins, bosque, horto, iluminação elétrica, bondes e praças com traços europeus.

O processo de modernização, aparentemente harmonioso e coletivo, escondia uma triste realidade, quase sempre não revelada em obras urbanísticas de grande porte, o submundo da prostituição, mendicância e o crescente número de vendedores ambulantes, que comprometiam a imagem da Belle Époque. 

Nos Códigos de Posturas de Lemos, os populares eram obrigados a retirar-se do centro da cidade para as áreas periféricas, na época surgiram bairros como Umarizal, Cremação, Pedreira, Marco e São Braz, entre outros.

Também introduziam um controle do comportamento dos habitantes, quando implicavam em proibições como tomar banho e lavar roupa nos córregos urbanos. Ideologicamente falando, o saneamento da pobreza era executado para a burguesia reinar.

Mas, apesar de todo o controle social e a disciplina urbana os populares continuavam tramando suas estratégias de resistência.

Em Belém, edifícios imponentes e luxuosos, como o requintado Theatro da Paz, Mercado de São Brás, Mercado Francisco Bolonha, Mercado de Ferro, Palácio Antônio Lemos, corredores de mangueiras e diversos palacetes residenciais, construídos em boa parte pelo intendente Antônio Lemos.

A construção desse espaço de cultura completava o polígono formado por Palace Bolonha, Grande Hotel, Cine Olympia, o Theatro da Paz, local de reunião da elite de Belém que, elegantemente trajados à moda parisiense, assistiam à inauguração ao som de acordes musicais, num ambiente esplendoroso, refinado e de grande animação.

A abertura teve como pano de fundo a Belle Époque, ao final do apogeu econômico propiciado pelo período da borracha e o final da intendência de Antônio Lemos, grande transformador urbanista da cidade.

Manaus - Amazonas
Em Manaus, Província do Amazonas, temos o Teatro Amazonas, Palácio Rio Negro, Palacete Provincial e o Mercado Adolpho Lisboa.

A influência européia logo apareceu em Manaus, na arquitetura das construções e no modo de vida, fazendo do final do século XIX e começo do século XX a melhor fase econômica vivida.

A Amazônia era responsável, nessa época, por quase 40% de toda a exportação brasileira. Belém foi a cidade mais rica do Brasil nessa época, em decorrência de toda a borracha extraída e exportada da 
Amazônia via porto, já que o de Manaus ficava distante demais do litoral. Graças à borracha, a renda per capita de Belém era duas vezes superior à da região produtora de café (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo).

A moeda da borracha: libra esterlina, moeda do Reino Unido forma de pagamento pela exportação da borracha pago aos seringalistas, mesma que circulava em Manaus e Belém durante a Belle Époque amazônica.

A face obscura da Belle Époque – Paris Tropical
A Belle Époque foi considerada um período de luxo e transformações sociais e culturais que se espalhou pela Europa e chegou ao Brasil. Inspirado nesses ideais a burguesia brasileira começou a implantar os costumes advindos da civilização européia, porém nem tudo foi só ostentação e luxuosidade, para manter a sociedade elitista brasileira, muitos trabalhadores eram obrigados a trabalhar em péssimas condições.

Enquanto cidades brasileiras como Rio de Janeiro e especialmente Manaus, viviam o auge da Belle èpoque, sua situação sócio-econômica era devastadora, principalmente na capital amazonense, onde o lucro da burguesia adivinha da exploração de recursos naturais como o latéx.
Manaus se desenvolvia, eram construídos avenidas armazéns, graças ao ciclo da borracha, porém esse desenvolvimento gerou caos, Manaus conhecida como a Paris Tropical, exportava latéx para toda Europa.

Entre 1890 a 1912 Manaus vivia o ciclo do latéx, material alvo de especulações de países europeus, Manaus era um grande campo de latéx, mas seus trabalhadores eram mal pagos e obrigados a trabalhar em condições precárias.

Avenida principal de Manaus a ilusão de prosperidade contrastava com a desigualdade social




Foto do Banco de Manaus

O ciclo da borracha chegou ao fim em 1912, devido aos países europeus, exportarem sementes da seringueira para países como Ceilão e Índia, aonde conseguiam preços mais baratos pela matéria prima da borracha, Manaus passa por uma profunda depressão a cidade que crescera e concentrava lucros absurdos nas mãos de burgueses, se via abandonada, seus luxuosos mercados e armazéns de roupas estavam abandonados e Manaus ficou esquecida do resto do mundo.

Belle Époque na região Cafeeira
A Belle Époque na região cafeeira reflete o momento áureo que o café traz ao Rio de Janeiro e sobretudo a São Paulo que consegue firmar-se como centro econômico de porte nacional.

Rio de Janeiro - Capital Federal
No Rio de Janeiro, capital federal, houve profundas mudanças sociais em sua paisagem urbana. A explosão urbana do final do século XIX fez com que a sua população saltasse de 266 mil a 730 mil habitantes entre 1872 a 1904, graças à chegada de ex-escravos (após a abolição, 34% da população era negra ou mestiça) e de imigrantes (40% da força de trabalho), consequentemente inchando sobretudo os cortiços e as favelas que já começam a brotar nos morros do centro da cidade (KOK, 2005).

Em 1920, a população do Rio atingiu 1.157.873 segundo o IBGE.

Inspirado nas reformas de Haussmann, o Prefeito Pereira Passos procedeu profunda reforma urbana na capital, visando o saneamento, o urbanismo e o embelezamento e conferir ao Rio ares de cidade moderna e cosmopolita. Para aumentar a circulação de ar no centro do Rio, muitas ruas foram alargadas (p.ex., Rua Marechal Floriano) ou abertas (p.ex., Avenida Central), e se desmanchou inclusive o histórico Morro do Castelo, onde Mem de Sá, em 1567, havia refundado a cidade com a instalação da Fortaleza de São Sebastião, a câmara municipal e a cadeia, a casa do governador e os armazéns-gerais.

A cidade também ganhou inúmeras linhas de bonde.

Em 1908, realizou-se na Urca a Exposição Nacional Comemorativa do 1º Centenário da Abertura dos Portos do Brasil, para a qual foram construídos vários edifícios temporários. A maioria desses edifícios foi derrubada após o término da exposição. Uma exceção foi o prédio do Pavilhão dos Estados, que é atualmente ocupado pelo Museu de Ciências da Terra

O antigo Palácio Monroe e o Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Além disso, outro ponto forte foi a criação de bairros da classe média carioca, como alguns presentes na região do Grande Méier, e outras áreas nobres, como alguns bairros da Zona Sul carioca, como Glória, Catete, Botafogo e Copacabana, cuja ocupação da área se deu definitivamente com a inauguração do Túnel Velho.
Nesse período nasceu um dos cartões postais da cidade, o teleférico do pão de açúcar, em 1912.

O Bondinho do Pão de Açúcar foi inaugurado ainda na Belle Époque,

Um dos maiores símbolos da Belle Époque na cidade foi a inauguração do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1909. Aliás todo o complexo da Cinelândia - onde está localizado o Theatro Municipal - é transfigurado sendo acrescido posteriormente com a instalação do Palácio Monroe e vários cinemas (Cine Odeon, Cineac Trianon, Cinema Parisiense, o Império, o Pathé, o Capitólio, o Rex, o Rivoli, o Vitória, o Palácio, o Metro Passeio, o Plaza e o Colonial).                 

Hotel Copacabana Palace e prédio do antigo Hotel Balneário (o qual ficou mais conhecido posteriormente por abrigar o famoso Cassino da Urca), antes da reforma promovida pelo Instituto Europeu de Design no início do século XXI.

A nova estética também estimula o remodelamento de tradicionais centros de lazer do Rio como a Casa Cavé e a Confeitaria Colombo, considerada até hoje como um dos dez mais bonitos cafés do mundo, assim como o florescimento de ritmos como o choro e o samba.

Para a Exposição Internacional do Centenário da Independência, hotéis sofisticados como o Hotel Copacabana Palace, o Hotel Glória e o Hotel Balneário (o qual ficou mais conhecido posteriormente por abrigar o famoso Cassino da Urca) são inaugurados.

Em 7 de setembro de 1929, é inaugurado o Edifício ''A Noite'', o primeiro arranha-céu do Brasil. Como resultado de todas estas transformações da Belle Époque carioca que caracterizaram no ideário coletivo o Rio Antigo.

Em 1928, o jornalista e escritor maranhense Coelho Neto descreve o Rio de Janeiro em contos como "A Cidade Maravilhosa", apelido este que inspirou a marcha de carnaval de mesmo nome e composta em 1934 por Antônio André de Sá Filho.

O excêntrico arquiteto italiano, Virgilio Virzi, que em 1910 veio para o Brasil, foi o autor de vários prédios diferentes no Rio de Janeiro. Dentre eles, o prédio do Elixir de Nogueira, que ficava na Praia do Flamengo.

No Rio de Janeiro, Antonio Virzi deixou a mais conhecida marca do Art-Nouveau na cidade, o prédio do Elixir de Nogueira, que ficava na Rua da Glória 214 e que foi demolido no início dos anos 1970.

São Paulo - Industrial
Já em São Paulo, durante a República Velha (1889-1930), a cidade industrializa-se e a população salta de ao redor de 70 mil habitantes em 1890 para 240 mil em 1900 a 580 mil em 1920.
O auge do período do café é representado pela construção da segunda Estação da Luz (o atual edifício) no fim do século XIX e pela avenida Paulista em 1900, onde se construíram muitas mansões.

O vale do Anhangabaú é ajardinado e a região situada à sua margem esquerda passa a ser conhecida como Centro Novo.

A sede do governo paulista é transferida, no início do século XX, do Pátio do Colégio para os Campos Elísios.

São Paulo abrigou, em 1922, a Semana de Arte Moderna que foi um marco na história da arte no Brasil.

Em 1929, São Paulo ganha seu primeiro arranha-céu, o Edifício Martinelli. As modificações realizadas na cidade por Antônio da Silva Prado, o Barão de Duprat e Washington Luís, que governaram de 1899 a 1919, contribuíram para o clima de desenvolvimento da cidade; alguns estudiosos consideram que a cidade inteira foi demolida e reconstruída naquele período.

Com o crescimento industrial da cidade, no século XX, para a qual contribuiu também as dificuldades de acesso às importações durante a Primeira Guerra Mundial, a área urbanizada da cidade passou a aumentar, sendo que alguns bairros residenciais foram construídos em lugares de chácaras.

A partir da década de 1920 com a retificação do curso de rio Pinheiros e reversão de suas águas para alimentar a Usina Hidrelétrica Henry Borden, terminaram os alagamentos nas proximidades daquele rio, permitindo que surgisse na zona oeste de São Paulo, loteamentos de alto padrão conhecidos hoje como a "Região dos Jardins".
O principal símbolo da Belle Époque paulistana e também brasileira é o Teatro Municipal de São Paulo.

Teatro Municipal de São Paulo, um dos símbolos da Belle Époque brasileira.

A cidade desenvolveu-se devido a sua localização privilegiada no centro do complexo cafeeiro e também a proximidade ao Porto de Santos. A intensiva imigração para a cidade se destaca principalmente pela diversidade cultural da cidade, muito influenciada por italianos e também mistura de diversas regiões brasileiras, fora os bairros que abrigam colônias de imigrantes, como Liberdade, que abriga a maior colônia Japonesa fora do Japão, e o Bixiga, reduto de imigrantes italianos da cidade.

A Vila Penteado, um dos últimos edifícios remanescentes do estilo art nouveau na cidade de São Paulo, foi projetada pelo arquiteto sueco Carlos Ekman e construída em 1902 para abrigar duas importantes famílias paulistas, a do Conde Antonio Álvares Penteado e a de seu genro, Antônio Prado Junior.
Doada à USP em 1949, a luxuosa construção de dois pavimentos, com mais de 60 cômodos, é hoje a sede da Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU-USP.

Mudanças no Brasil
Mas não foram somente os costumes que mudaram, as cidades como consequencia sofreram alterações significativas para se aproximarem do estereótipo da cidade luz e beneficiar o comércio.

O Rio Civiliza-se!”, é a expressão mais corrente após a conclusão da Avenida Central. Baniu-se do centro da cidade do Rio de Janeiro a presença dos humildes e permitiu que a burguesia ganhasse as ruas, caminhando para uma nova cidade de rosto parisiense.

A nova configuração dos terrenos ao longo da Avenida permitiu a construção de grandes edifícios, em que todos tinham cunho estritamente comercial. A predominância de grandes lojas afastou definitivamente os pequenos comerciantes, que não tinham como arcar com tais despesas, fazendo da avenida lugar exclusivo das grandes corporações.

Cultura e Arte
A Belle Époque foi um período marcado pelas profundas mudanças no cotidiano de Paris, mudanças estas de boa repercussão para a elite da época. A França era o centro cultural mundial e todos queriam copiá-la.

O então nascente regime, a República, desejava inaugurar uma nova era no Brasil, e por isso procurou minimizar tudo que lembrava o Império e a colonização portuguesa.
As artes tomaram novos rumos, se aproximando das culturas francesa e italiana.

O Brasil não ficou de fora, artistas brasileiros como Augusto Rodrigues Duares, Henrique Bernardelli, Manuel Teixeira da Rocha, Pedro Américo, Pedro Weingartner e Eliseu Visconti estiveram presentes em exposições na França.

Porém foi em 1889, ano da Proclamação da República, que o nosso país por dentro começa a se desenhar com inspiração nos padrões franceses. A ligação com a França é profunda nesse período, entre os membros da elite brasileira era inconcebível não ir a Paris pelo menos uma vez ao ano, para estar a par das mais recentes inovações.

Era um referencial de vida para os intelectuais brasileiros, leitores ávidos de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Zola, Anatole France e Balzac.

No Brasil surgem grandes nomes de uma nova cultura, do sanitarista Oswaldo Cruz e do engenheiro Pereira Passos ao “Abre Alas” de Chiquinha Gonzaga.
Era uma nova segmentação de intelectuais, o Brasil queria mudar. De acordo com uma pesquisa de Alexei Bueno publicada em 2004 pela revista Rio Artes, valia de tudo para a imprensa do período da Belle Époque. Grandes figuras do jornalismo e das letras tratavam personalidades da literatura brasileira de até alguns anos atrás com deboches ácidos.

“Meticuloso, lamuriento, burilador de frases banais, bolorento pastel literário, autor de bombinhas da China”.

Considerado o maior escritor brasileiro, Machado de Assis foi assim atacado por alguém credenciado, o crítico literário Sílvio Romero, contemporâneo do escritor e jornalista como ele. Em seu livro Estudos de Literatura Contemporânea, Romero disse ainda que o autor de Quincas Borba não passava de um “pequeno representante do pensamento retórico e velho no Brasil” e que sua produção simbolizava “nosso romantismo velho, caquético, opilado e sem idéias”.

Mal sabia Romero que esse “pequeno representante” do Brasil iria ser reconhecido como um dos maiores escritores do nosso país, para não dizer “o maior”.

Art Nouveau no Brasil
A corrente artística comum deste período era a Art Noveau, que valorizava os ornamentos cores vivas e curvas sinuosas, sendo uma arte essencialmente decorativa. Suas principais obras são fachadas de edifícios, objetos de decoração como móveis, portões e jóias, por exemplo.

Na literatura, este movimento influenciou trazendo obras que voltavam-se para as épocas “áureas” de cada país. Havia ainda um desejo de libertação do antigo e uma procura pelo novo.

As influências artísticas da Art Nouveu chegaram ao Brasil no começo do século XX. Este estilo artístico penetrou no Brasil, principalmente na pintura decorativa e na arquitetura. Inclusive, houve influência, embora pouco expressiva, da art nouveau no movimento modernista brasileiro. Estas influências aparecem, principalmente, nas obras de John Graz (artista decorador) e Antonio Gomide (pintor e desenhista).

A Sociedade
É dessa época a fundação de Belo Horizonte, cidade planejada, e as grandes reformas urbanísticas empregadas no Rio de Janeiro, então Capital Federal, por Pereira Passos e Rodrigues Alves.

O período é caracterizado por forte moralismo e "repressão sexual", ideais de comportamento típicos da era vitoriana.

A unidade monetária vigente no Brasil ainda era o réis, um padrão instituído pelos portugueses na época colonial.

Em se tratando de língua portuguesa, as regras ortográficas obedeciam aos ditames do grego e do latim. Esse modo de escrever só acabou com a reforma ortográfica de 1943, em plena Era Vargas, e portanto, bem depois dessa Belle Époque versão "tupiniquim". Farmácia e comércio, por exemplo, eram escritos pharmacia e commercio.

O clima ufanista da época, fazia com que termos de novidades estrangeiras fossem aportuguesados. Um exemplo disso foi com o futebol, então recém chegado ao país, onde tentou-se renomeá-lo de ludopédio, sendo ludo = jogo e pédio = pé (bola no pé)

Oswaldo Cruz, um dos homens mais influentes da época.

Barão do Rio Branco, diplomata que incorporou o Acre ao Brasil.

Carlos Chagas

Rui Barbosa

Giuseppe Amisani, um dos pintores europeus mais influentes da época ao Brasil.

Silvio Romero, importante folclorista da época.

Estação da Luz, antigo prédio público de São Paulo, onde hoje funciona o Museu da Língua Portuguesa, de arquitetura eclética.

Avenida Central do Rio de Janeiro c. de 1909.

O Teatro Municipal do Rio é um dos maiores símbolos da Belle Époque Brasileira.

Pixinguinha, importante compositor e cantor da época

Alberto Santos-Dumont, inventor do avião

14 Bis de Santos Dumont

Primeira Guerra Mundial
O Brasil na Primeira Guerra Mundial tinha uma posição respaldada pela Convenção de Haia, mantendo-se inicialmente neutro, buscando não restringir o mercado a seus produtos de exportação, principalmente o café. Foi o único país latino-americano que participou da Primeira Guerra Mundial.

O conflito também afetaria a era em que se passava o Brasil.

Proclamação da República, 1893, óleo sobre tela de Benedito Calixto (1853-1927). Acervo da Pinacoteca Municipal de São Paulo

Marechal Deodoro da Fonseca

Ilustração da revista Dom Quixote, 1895 do presidente Floriano Peixoto

Prudente de Morais, primeiro presidente civil do Brasil.

Campos Sales.

Posse do Marechal Hermes, 1910.

Pinheiro Machado, idealista da República

Getúlio Vargas, "futuro" presidente do Brasil, e sua esposa Darci, no ano de 1911.

Revoltas
A Belle Époque foi também palco da Revolução Federalista no Rio Grande do Sul e do caudilhismo, com objetivos de derrubar o governador, Júlio de Castilhos e de liderança de Gaspar Silveira Martins, (líder dos maragatos) e Júlio de Castilhos, (líder dos chimangos).

A Belle Époque também foi palco da Revolta da Vacina

A Revolta da Armada: combate na fortificação da Mortena, na Gamboa (Le Monde Illustré, nº 1.926, 24/02/1894.).

Fotografia com o Coronel Gomes Carneiro em destaque e os "Heróis do cerco da Lapa", durante a Revolução de 1893.

Praça 7 de Setembro (RS) ocupada por soldados do 32º Batalhão de Infantaria após a derrota dos federalistas (Le Monde Illustré, 6 de setembro de 1894.)

Morte do Capitão Salomão da Rocha defendendo uma peça de artilharia durante a Campanha de Canudos (Revista Don Quixote, 1897).

A revolta da vacina em charge de Leonidas, publicada na revista O Malho, em 29/10/1904.

Gumercindo Saraiva, caudilho da época da Revolução Federalista

Senador Gaspar Silveira Martins, líder dos maragatos na Revolta de 1893.

Júlio de Castilhos, político positivista da época.

João Cândido, líder da Revolta da Chibata.

Revolta dos 18 do Forte de Copacabana: tenentes Eduardo Gomes, Siqueira Campos, Newton Prado e o civil Otávio Correia.

Revoltas do Período
Caldeirão de Santa Cruz do Deserto
Coluna Prestes
Comuna de Manaus
Guerra de Canudos
Guerra do Contestado
República de Cunani
Revolta da Armada
Revolução Federalista
Revolta da Chibata
Revolta da Vacina
Revolta dos 18 do Forte de Copacabana
Revolta Paulista de 1924
Revolução Acreana
Revolução de 1923
Sedição de Juazeiro

Influência
Deve-se olhar essa influência francesa com cuidado, pois a urbanização no Brasil, assim como toda a influência da Belle Époque, trouxe o dinamismo da metrópole para a capital brasileira, só que em troca acabou negando aspectos da brasilidade.

Havia, conforme apresenta Needell (1993, p. 67),

“[...] na avenida, como a Belle Époque que simbolizava, pulsava entre dois pólos [...]”,

Ou seja, um corpo brasileiro com máscara francesa. Assim, apesar de faltar coerência arquitetônica do modelo parisiense,

“[...] tal edifício transmitia com eficácia, por meio de sua fachada, de sua localização na avenida e de produtos ou vínculos europeus, a sensação neocolonial de civilização”.

Segundo Sevcenko,
[...] por trás dessas recriminações, estava o anseio de reservar a porção mais central da cidade, ao redor da nova avenida, para a ‘concorrência elegante e chic’, ou pelo menos modelar por esse padrão todos ou tudo que por ali passasse ou se instalasse. (SEVCENKO, 1999, p.34).

Todavia, não se deve esquecer que mesmo indicando que o brasileiro estava no caminho para uma europeização, também mostrava, claramente, uma negação do que era efetivamente brasileiro.

“Abraçar a Civilização significava deixar para trás aquilo que muitos na elite viam como um passado colonial atrasado, e condenar os aspectos raciais e culturais da realidade que a elite associava aquele passado.” (NEEDELL, 1993, p. 70).

Término da Belle Époque Tropical

O ex-presidente Rodrigues Alves com a família, 1913

O auge da Belle Époque brasileira terminou em 1922, com o Movimento Modernista, com a realização da Semana de Arte Moderna, a fundação do PCB e as rebeliões tenentistas.

Mas, a presença dessa cultura não desapareceu de uma só vez, e sim aos poucos, em um processo lento. A sua influência foi sentida até o começo dos anos 1930.

Num resumo podemos falar que a Belle Époque no Brasil é uma fase de transição do regime monárquico para o republicano, tanto que o fim da Belle Époque começa a se manifestar em 1922, ano em que ocorreu a semana da arte moderna, para de desintegrar totalmente até o final dos anos 20, quando acabaria a Primeira República.

É pela mudança dos valores cultuados pela sociedade brasileira que se caracteriza. Pelo preconceito cristalizado que se evidencia com o ideal de beleza que a republica quer passar. Com a imagem de uma população nobre e culta ser a digna para ser passada aos estrangeiros. Assim acabavam varrendo para os cantos a imensa maioria do povo brasileiro, em nome da suposta beleza e do comércio. Mas para falarmos desse outro lado da Belle Époque deixemos para o texto abaixo.

Considerações Finais
Podemos dizer que esta “obsessão” pela europeização, que por muito tempo se manteve restrita, na virada do século XX, tornava-se uma meta a ser alcançada. Essa meta trazia consigo o modelo da Belle Époque francesa, acabou por ocultar uma série de problemas latino-americanos, jamais imaginados em um contexto europeu.

Essa “obsessão” vai interferir diretamente na vida da população brasileira nesse momento, podemos citar, por exemplo, a Revolta da Vacina como uma das bandeiras que a população levanta contra essa modernidade que está sendo imposta de cima para baixo (ou de fora para dentro).

Assim, esse processo de modernização do país, que se mostra como uma tentativa de manutenção de poder por parte de uma sociedade conservadora, não obtém o sucesso esperado.
A arquitetura aqui construída e montada para demonstrar esta modernização é o maior exemplo disto. 

Ela demonstra uma fachada “civilizada”, mas, por dentro, uma sociedade ainda atrasada, envolta por um passado colonial e escravista, com uma elite dominante e que não se desvencilhará tão facilmente deste histórico. Ou seja, temos uma tentativa de modernização, mas a modernidade, fundada como o primado da razão, uma experiência histórica, onde há uma reformulação de conceitos e hábitos de uma sociedade, um esfacelamento de suas antigas crenças e valores, não acontece de fato.

Referências
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Disponível em: <periodicos.pucminas.br/index.php/cadernoshistoria/article/view/1709>. Acesso em: 14 jan. 2012.
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